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III Encontro Nacional dos Estudantes (1977) recebe homenagem na ALMG


Faculdade de Medicina/UFMG, durante tentativa de realização do III ENE, Belo Horizonte, junho de 1977

Núcleo de Comunicação Bloco Minas Melhor

Foto: Acervo Projeto República/UFMG

Em reunião especial de Plenário, na quinta-feira (01/06), a Assembleia Legislativa homenageou a resistência estudantil, simbolizada pela tentativa de realização do III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE), em plena Ditadura, na capital mineira. Presidida pelo 1º secretário da ALMG, Rogério Correia (PT), a reunião atendeu a requerimento dele e do líder do governo, Durval Ângelo e de outros dois deputados do Bloco Minas Melhor, Cristiano Silveira (PT) e Celinho do Sinttrocel (PCdoB).

Em 3 de junho de 1977, véspera do encontro, cerca de 400 estudantes universitários se encontravam no Diretório Acadêmico (DA) de Medicina, na Avenida Alfredo Balena, área central de Belo Horizonte, para discutir o movimento estudantil e preparar a refundação da União Nacional dos Estudantes (UNE), que havia sido fechada em 1968 pelo governo militar. Contudo, o III Ene foi brutalmente impedido de se realizar. Participantes da reunião especial mencionaram ainda que um aparato de cerca de mil soldados do Exército e da Polícia Militar agiram nas estradas bloqueando os ônibus de delegações que vinham dos estados, além de impedir o acesso de centenas de outros ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da UFMG.

O local do encontro foi cercado por policiais fortemente armados, todos os estudantes foram presos e as lideranças foram enquadradas na Lei de Segurança Nacional.

Para celebrar a passagem dos 40 anos desse acontecimento, reuniram-se no Plenário da ALMG, mais de uma centena de ativistas que dele participaram. Compuseram a Mesa da reunião especial, alguns dos mais destacados dirigentes de entidades estudantis da época e a representante da direção atual da União Nacional dos Estudantes e presidente da União Estadual dos Estudantes de Minas, Luana Ramalho, que falou em nome de Carina Vitral, presidente da entidade.

Na abertura da solenidade, o deputado Rogério Correia (PT) recordou aquela noite, quando foi um dos presos. Militante de base, Rogério rememorou os momentos de tensão vividos ali e destacou a importância daquele ato, como uma das primeiras derrotas políticas do Regime Militar. A presença ostensiva de militares nas ruas, a mobilização de estudantes, de seus parentes e amigos, e até mesmo de setores da população alheios ao próprio III ENE contribuiu para que a tentativa de reconstrução da UNE, ainda que abortada pela truculência do Regime, cumprisse um papel hsitórico. “Houve muita tensão. Cada um ia sendo fichado individualmente, cercado por três policias do Exércio, que nos levavam em caminhos escuros, e só depois disso é que nos soltaram”, afirmou.

O deputado Rogério Correia entregou uma placa aos representantes dos ex-estudantes, assinada pelo presidente da ALMG, Adalclever Lopes, em que é lembrado que “a liberdade de expressão é garantia inegociável das sociedades democráticas”. Por isso, mesmo a “Assembleia presta justa homenagem aos que há 40 anos resistiram bravamente ao cerceamento de suas liberdades”.

A presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de Minas, Luana Ramalho, foi a primeira a discursar, agradecendo a geração que “em momento sombrio” lutou pelo Brasil. “Me orgulha a luta travada naquele período de repressão que nos permitiu a conquista de direitos que hoje correm sérios riscos. Até para honrar a luta daquela geração, continuamos na rua por um Brasil mais justo e igualitário”, afirmou, lembrando ainda que neste ano, a União Nacional dos Estudantes (UNE) comemora 80 anos. Aproveitou para convidar a todos para o 55º Congresso, entres os dias 14 e 18 de junho, na UFMG e no Ginásio Mineirinho, em BH. A entidade vai prestar homenagem ao III ENE, no dia 15, às 9:30h no campus Pampulha da UFMG, com o o debate “A reconstrução da União Nacional dos Estudantes, do III ENE ao Congresso de 1979”, reunindo ex-militantes daquele período e historiadores. Além disso, em parceria com o Projeto República, também ligado à universidade, será montada exposição de fotos e documentos históricos do período, que registraram a grande agitação política na cidade naquele momento. A exposição seguirá, de forma itinerante, por espaços culturais e políticos de Belo Horizonte.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Cristiano Silveira, lembrou que o país passava por um momento difícil, a ditadura militar, e os estudantes lutaram bravamente por democracia. “Tivemos um golpe de estado e os estudantes tiveram um papel importante na resistência. Por isto, vamos homenagear os estudantes de ontem e de hoje”.

O ex-presidente do DCE, Jânio Bragança, lembrou que aquela era uma homenagem coletiva a uma geração pós 1970, que lutou contra o desmantelamento dos sindicatos e das organizações estudantis. “Aquele era o segundo desafio ao regime militar. A partir do III ENE, aprofundou-se a luta pela reconstrução da democracia”, pontuou.

A ex-diretora do DA de Medicina da UFMG Sandy Barreto, lembrou que a repressão era disseminada em toda a sociedade. “A despeito disso conseguimos construir um coletivo alegre e audacioso, que decidiu, apesar de avaliação de que a ditadura não iria permitir, reconstruuir a UNE porque era um passo importante”, afirmou.

Ex-tesoureiro da UEE, Eduardo Campos fez uma comparação daquele momento com o de hoje, para dizer que a homenagem da Assembleia é para ele um “ato em defesa da democracia”. “Ao resgatar nossa história, penso no presente e no futuro. Vivíamos sob o tacão de ditadura militar que se impôs à base de fuzil e baioneta. Vivemos hoje um outro golpe de outra natureza, um golpe civil. A luta democrática que a gente travava naquele momento, está ainda muito presente no Brasil contemporânea. Esta é a questão fundamental”, disse.

Para o líder de governo, deputado Durval Ângelo (PT), a edição do ENE em 1977 é um marco na luta pela redemocratização do País. “O encontro precisa ser lembrado e homenageado, principalmente neste momento no qual a democracia brasileira está altamente abalada”, destacou.


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