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A intolerância é filha da cegueira

“Para um discernimento é que vim a este mundo: para que os que não veem, vejam, e os que veem tornem-se cegos”. Profunda sabedoria expressa no evangelho de João (9, 39), na reflexão conhecida como “A cura do cego de nascença”.

Estaríamos vivendo nos dias atuais esse sinal dos tempos? Foi o que me questionei ao rememorar as cenas grotescas a que assistimos na Assembleia Legislativa, nos dias 28, 29 e 30 de setembro.

Votávamos o projeto de lei do Executivo que estabelecia novas alíquotas do ICMS e, em contrapartida, aumentava os recursos para o Fundo de Erradicação da Miséria, bem como ampliava isenções para consumidores de baixa renda, hospitais, entidades filantrópicas, igrejas e casas de cultos religiosos. O projeto, no entanto, foi deturpado pela oposição, com o claro objetivo de desgastar o governo Pimentel.

Nas galerias, um grupo de manifestantes protagonizava um triste espetáculo de ódio, preconceito e intolerância. Fomos impedidos de nos pronunciar, agredidos com palavras de baixo calão, “melôs” de mau gosto e até ameaças de morte. O parlamentar e pastor Vanderlei Miranda foi ofendido, inclusive, em seu múnus religioso. O deputado Iran Barbosa quase foi agredido fisicamente, e deputadas foram xingadas de “vadias”, “vagabundas” e termos piores.

A claque era “orquestrada” por pessoas devidamente orientadas, e não foi difícil deduzir a quem interessava o caos. Os manifestantes, em sua maioria, pertenciam à elite dominante deste país. Alguns destoavam. Segundo denúncias, eram de Santa Luzia e teriam recebido R$ 30 por dia de lideranças ligadas à oposição. Os mais agressivos foram retirados, e, identificados, não nos surpreendeu sua relação com movimentos golpistas.

Em duas décadas como parlamentar, não tinha visto coisa igual. Presenciamos grandes manifestações na Assembleia: milhares de professores, policiais militares e civis, trabalhadores da construção civil e catadores de papel, entre tantos outros. Protestaram, cobraram, pressionaram, mas nunca ultrapassaram os limites da civilidade.

O mais estarrecedor foi constatar que, com discursos radicais, deputados da oposição reforçavam o clima de violência e extremismo. Sem contar os ataques pessoais a questões familiares, opções religiosas e de gênero, entre outros tantos absurdos. E nunca na história de Minas um governador foi desrespeitado de forma tão vil. Até parlamentares sérios da oposição, constrangidos, condenaram tal comportamento.

O ocorrido na Assembleia reflete o clima neofascista que cresce no Brasil e no mundo. Sobretudo, traduz o uso da intolerância como arma política para manipular o povo, seja contra um governo eleito, seja contra negros, homossexuais, estrangeiros, evangélicos ou religiões de matrizes africanas. José Saramago, ao final do livro “Ensaio sobre a Cegueira”, num diálogo da esposa com o médico, alerta, de forma alegórica, para este mal da sociedade contemporânea, que denomina “cegueira branca”: “Por que foi que cegamos? (…) Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem”. “Cegos que, vendo, não veem”.


Publicado no jornal O Tempo (08/10/2015).


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