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Pimentel afirma para deputados que violência da PM contra estudantes está sendo apurada


Em reunião com os parlamentares, o governador Fernando Pimentel se comprometeu a discutir a atitude da PM em manifestações


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A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) solicitou, em reunião com o Governador Fernando Pimentel apuração rigorosa dos atos de violência da Polícia Militar contra os estudantes secundaristas e universitários, ocorridos na manhã de sexta-feira (18/11), em frente ao Campus da UFMG, na região da Pampulha. No encontro com o governador, estiveram presentes os deputados estaduais do PT, Cristiano Silveira, Marília Campos, Rogério Correia, Ulisses Gomes e a deputada federal Jô Moraes (PCdoB), além de secretários e o reitor da Universidade. 

Além da apuração, a comissão solicitou que a atitude da PM frente aos movimentos sociais seja pactuada para evitar qualquer tipo de violação do direito de manifestação, como tem por vezes ocorrido no campo e na cidade. Também foi tratada na reunião as ações do governo para reforçar o movimento em torno da rejeição à PEC 55 no Senado, que congela recursos públicos nas áreas sociais por 20 anos, por ser prejudicial ao povo de Minas e ser infelizmente apoiada pelos senadores que representam o Estado.

O governador lamentou o fato ocorrido com os estudantes, inclusive a invasão da UFMG por policiais militares, o que só é permitido à Polícia Federal, ainda sim com mandado de Justiça,  e informou que a investigação já está em andamento. Pimentel se comprometeu a estudar ações que possam responder às solicitações da Comissão de Direitos Humanos.

Quanto à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, que está em tramitação no Senado Federal, o governador reafirmou a posição contrária do governo e que se esforçará por demonstrar os prejuízos a Minas, no caso da aprovação do projeto.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Cristiano Silveira (PT) disse que o governador ficou de responder sobre o pedido de reunião para rever os procedimentos da PM com relação às manifestações populares. “A Comissão quer que o governo estabeleça um diálogo com os setores dos movimentos sociais, para que não tenhamos mais esses conflitos”, afirmou.

Na audiência pública, realizada na Assembleia Legislativa para tratar do fato, os estudantes que participaram da manifestação em frente à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), denunciaram a violência policial e pediram punição aos policiais envolvidos. As denúncias foram feitas em reuniões das Comissões de Direitos Humanos e de Educação, Ciência e Tecnologia.

Durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos, os estudantes exibiram um vídeo que mostra os policiais entrando na UFMG para perseguir os manifestantes, que fugiam após a explosão de bombas de efeito moral. Segundo os estudantes, a repressão à manifestação resultou em 15 feridos, inclusive pessoas que receberam tiros de bala de borracha nas costas, quando fugiam. A manifestação era contra as propostas federais de reforma do ensino médio e de congelamento dos gastos públicos por 20 anos.

A Comissão de Direitos Humanos aprovou um requerimento para que se solicite ao governador, entre outras providências, a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar os atos dos policiais envolvidos no conflito. O presidente da comissão, deputado Cristiano Silveira (PT), leu uma nota divulgada pelo governador Fernando Pimentel, em que ele expressa o respeito à liberdade de manifestação e garante que os excessos ocorridos serão devidamente apurados. Os deputados afirmaram que procurariam o governador ainda nesta sexta-feira (18) para cobrar providências.

“Acho que o governador precisa tomar uma atitude”, cobrou o estudante secundarista Thiago Santos, um dos que participaram da manifestação. Ele salientou que a repressão policial às ocupações e protestos realizados pelos estudantes já vem acontecendo desde as eleições municipais. E também criticou a cobertura realizada pela imprensa do conflito ocorrido nesta sexta (18). “A mídia não é democrática, não vê os dois lados da história”, afirmou.

A estudante Giovana Almeida, do curso de Geografia da UFMG, afirmou que o vídeo exibido na Assembleia mostra que são mentirosas as matérias exibidas pela TV Globo sobre o caso. “Eles disseram que os estudantes jogaram pedras e galhos nos policiais. Isso é mentira. O vídeo mostra que não fizemos isso. Os policiais não estavam com identificação e a polícia não negociou conosco em nenhum momento”, afirmou.

A professora Ana Flávia Santos, do Departamento de Antropologia da UFMG, disse que foi testemunha da repressão policial à manifestação estudantil. “Não havia nenhum tipo de ameaça por parte dos estudantes. Às 10h49, os estudantes anunciaram que a manifestação se encerraria às 11 horas. Acho inadmissível o que aconteceu. Os policiais sabiam que ela ia acabar. Acho que foi um ato premeditado (da polícia)”, afirmou a professora.

O estudante universitário Gabriel Lopo disse que o movimento estudantil está sendo vítima de “tenentes fascistas” da Polícia Militar. Segundo os participantes da manifestação, dois oficiais se sucederam no comando do destacamento que acompanhou o protesto na Pampulha. O primeiro, segundo eles, teria negociado com os estudantes, mas o segundo teve uma atuação truculenta e comandou a repressão.

Durante a manifestação, segundo Thiago Santos, um dos policiais acusou os estudantes, repetidamente, de estarem sendo pagos pelo PT. “O senhor é que está sendo pago para estar aqui, reprimindo os estudantes”, disse Santos, relatando a resposta que deu ao policial.

A deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG), que participou da reunião da Comissão de Direitos Humanos, pediu punição para o crime federal de invasão da UFMG pela Polícia Militar, algo que, em sua avaliação, está demonstrado pelo vídeo exibido.

A deputada Marília Campos (PT) e o deputado Rogério Correia (PT) também se solidarizaram aos estudantes. “Acho que o governador deve uma satisfação aos estudantes e vamos atrás disso”, afirmou Correia. “Faço parte dessa luta que resiste ao retrocesso neste País”, afirmou Marília, sugerindo aos estudantes que constituíssem uma comissão de representação para que acompanhasse os entendimentos com o governador.



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