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Opinião

 
 

Um ano da tragédia na Bacia do Rio Doce

Sim, Mariana está no começo do crime ambiental: o desastre que foi o rompimento da barragem do Fundão, irregularmente operada pela Samarco/Vale/BHP. Porém, a vítima maior foi a Bacia do Rio Doce. Vítima daquele que foi um dos maiores crimes socioambientais do mundo.

Mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração foram despejados na calha do Rio Doce e de vários de seus afluentes.

A lista de prejuízos, vários deles irreversíveis, é imensa. Conforme o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) foram: cerca de duas dezenas de mortes, destruição de moradias e de meios de subsistências das populações ribeirinhas, impactos nos vínculos sociais e parentais dos atingidos, edificações públicas e privadas destruídas parcial ou integralmente, destruição de áreas de preservação permanentes, incomensurável mortandade da biodiversidade (terrestre e aquática), comprometimento do fornecimento de água saudável, entre outros.

As repercussões secundárias são também expressivas: queda da arrecadação tributária dos municípios atingidos diretamente, aumento dos dramas psicossociais de parcelas da população alcançada pela tragédia, impacto cultural e econômico nas populações indígenas ribeirinhas, a permanência de metais pesados e material tóxico nas calhas dos cursos d'água, talvez por duas décadas. Cerca de um milhão e quinhentas mil pessoas sentiram, e muitas delas continuarão sentindo, as dores dessa tragédia por muito tempo.

Órgãos ambientais, universidades, grupos de trabalho oficiais, comitês de sub-bacias, organizações não-governamentais chegam a números impressionantes: o custo dos danos totais pode ter chegado a cerca de R$ 155 bilhões, conforme relatório do MAB. Os prejuízos privados chegaram à casa dos R$ 540 milhões, a prestação dos serviços municipais foram oneradas em R$ 146 milhões, danos a próprios públicos (como ruas, praças, pontes, postos de saúde e escolas) podem ter chegado a R$ 500 milhões; e assim por diante.

A principal conclusão que unifica movimentos ambientais, órgãos do executivos (incluindo o Ministério Público), do Legislativo e do Judiciário é de que o evento não foi uma tragédia natural. Foi social. Foi humana. E a responsável foi a Samarco/Vale/BHP. Além de operar irregularmente a barragem do Fundão, a empresa negligenciou aspectos básicos de segurança do empreendimento. Nem mesmo uma “sirene do pânico” estava funcionando no local.

Além da empresa, há também que se apurar rigorosamente as responsabilidades dos poderes públicos. Nos governos tucanos recentes em Minas Gerais, os processos de licenciamento foram suspeitos. Dois deles tiveram restrições oficiais do Ministério Público Estadual.

Os governos de Aécio Neves e de Antonio Anastasia terão que dividir com a Samarco/Vale/BHP os ônus desse crime ambiental.


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