Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes
 
 
Logo Minas Sem Censura Newsletter

Opinião

 
 

A negação do político

Por Durval Ângelo/ Foto: reprodução internet

Uma das características dos regimes totalitários é a negação do “político”. Não por acaso, em 1933, quando Hitler ganhou do Congresso alemão plenos poderes, um dos primeiros atos dele foi proibir o funcionamento dos partidos políticos do país, à exceção do Nazista, e extinguir o próprio Parlamento. Por 12 anos, governou como ditador.

A trajetória da humanidade está repleta de exemplos nos quais a disseminação dos ideários radicais, fascistas e de extrema direita foi acompanhada de uma campanha para o extermínio do “político”. Nela, explora-se a indignação não reflexiva da sociedade, cristalizada em um senso comum: “político bom é político morto”, “todo político é ladrão”, “o grande mal da nação é a política”.

Poucos se dão conta, no entanto, de que esse movimento representa a negação da própria cidadania. Afinal, política nada mais é do que mediação: entre cidadãos e Estado, público e privado, individual e coletivo. Sentido implícito na etimologia da palavra, originária do termo grego “politikos” (cívico), que deriva de “polites” (cidadão), e este, de “polis” (cidade/Estado).

E o que estaria por trás da negação do “político”? Ao capitalismo, interessa que o único ente válido no processo de interlocução seja o mercado. Ao fascismo, que esse mediador seja o Estado totalitário. A Mani Pulite (operação Mãos Limpas), na Itália, foi um exemplo desse fenômeno. Na primeira eleição que a sucedeu, na década de 90, vários partidos praticamente deixaram de existir. No lugar, a ascensão de Silvio Berlusconi; o “antipolítico”, milionário empresário da mídia, de extrema direita, ultraconservador e, paradoxalmente, atolado na corrupção.

Vivemos situação similar no Brasil. A politização do Judiciário – ou a judicialização da política –, comandada por Sérgio Moro, nada mais é do que a negação do “político”. No vazio político, instalam-se o fascismo e a intolerância. Não apenas o extermínio do diferente e plural – negros, mulheres, pobres, imigrantes, homossexuais –, mas da própria política, enquanto mediação de conflitos. Como afirmou a filósofa Marcia Tiburi em sua coluna, “o ódio ao outro se estabelece em nossa sociedade no âmbito do extermínio da própria política”.

Não deixa de ser simbólico que caciques do PSDB tenham sido hostilizados nas manifestações pró-impeachment que eles mesmos organizaram, enquanto figuras que personificam o que há de mais conservador ganham ares de “pop star”. Sim. É imperativo combater a corrupção e fazer a depuração, independentemente de partido político. Mas o extermínio do “político” só serviria a interesses reacionários. Quem seria o nosso Berlusconi? Jair Bolsonaro? Silas Malafaia? Marco Feliciano? Sérgio Moro?

A política é necessária, bem alertou o filósofo italiano Giuseppe Tosi: “Não há alternativa à política senão mais e melhor política, não há alternativa aos partidos senão menos e melhores partidos, não há alternativa nem atalhos à democracia senão mais democracia”.


Logo Minas Melhor Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 79 - 3º andar
Santo Agostinho - BH / MG

(31) 2108-7597 minasmelhoroficial@gmail.com
Copyright 2016 Minas Melhor.
Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes