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Opinião

 
 

Que tempos são estes em que é necessário defender o óbvio?

A frase acima, de Bertold Brecht, resume a atmosfera do Brasil contemporâneo.

Nas manifestações de 13 de março contra o governo federal ocorreu um “salto de qualidade” dos oposicionistas: até políticos de partidos tradicionais que apoiaram a mobilização foram hostilizados abertamente. Em Belo Horizonte, reportagem da Band News registrou que o tucano Aécio Neves foi “duramente vaiado” quando foi visto no evento.

Em São Paulo, em plena avenida Paulista, vários caciques do PSDB, do DEM, do Solidariedade, do PPS foram expulsos por manifestantes, com muita agressividade, quando pretendiam discursar no megatrio elétrico que alugaram para o ato. Até o folclórico Pastor Malafaia foi vaiado e impedido de falar ao microfone em Brasília. O deputado Bolsonaro, que lá estava, teve também o cuidado de subir no trio elétrico só depois do esvaziamento da concentração, para falar à sua claque.

Alckmin, Aécio, Agripino Maia, o tal Paulinho da Força e outras celebridades da direita saíram às pressas da Paulista, sob vaias e xingamentos, diversos: vagabundos, corruptos, políticos safados. Ao final, suas claques contratadas serviram a eles como barreira de proteção, inclusive, para evitar agressões físicas.

Tal é o diagnóstico mais geral dos eventos de domingo: a direita difusa/confusa expulsou a “direita cheirosa” de seu espaço. Hegemonicamente composta de estratos das chamadas classes médias, essa direita sem rumo era tolerante com manifestações racistas, homofóbicas, fascistas, machistas e misóginas. Todos acreditam que a motivação principal que os une é o combate à corrupção.

Combater a corrupção, para boa parte desse público, é tirar o PT do governo. Alguns setores acreditam, sinceramente, que isso desencadearia ações contra PSDB, DEM, PMDB e demais partidos. Outros, nem mesmo se preocupam com isso. Sua meta exclusiva é a corrupção que atribuem ao atual governo.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no entanto, revelou o segredo que subjaz ao seu apoio ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, ao comentar a indicação de Lula para Ministro da Casa Civil. FHC não poupou franqueza: Lula pode significar a defesa de direitos e conquistas sociais que, na visão tucana, devem ser retirados para se combater a crise econômica.

A reação do Governo Dilma, dos partidos democráticos e populares, dos movimentos sociais e populares de esquerda ainda é carente de um programa substantivo. O que prevalece é a correta, mas limitada, defesa da normalidade democrática. A defesa dos direitos individuais, do resultado do pleito de 2014, do direito ao contraditório e de defesa.

Esse é um ponto de partida, mas nunca o ponto de chegada.

Não se trata de defender um partido, uma presidenta, um governo ou uma liderança, como Lula. Trata-se de defender conquistas importantes que nasceram do combate e da derrota dos 20 anos de Ditadura Militar no Brasil.

Que tempos são estes em que é necessário defender o óbvio?





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