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Opinião

 
 

Travessias em “tempos sombrios” (Durval Ângelo)

Recebi apoios e sofri críticas, mas se tiver apontado uma só estrela-guia, terá, sem dúvida, valido a pena. 

“Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!


Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.


Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.”


O poema “Mar português”, de Fenando Pessoa, abre meu mais recente livro, “Tempos sombrios: escrítos políticos 2015”, lançado em dezembro. Trata-se de uma compilação de artigos que publiquei no decorrer do ano passado neste espaço e em outros veiculos da imprensa, bem como de alguns comentários em redes sociais e pronunciamentos na tribuna da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Com a publicação, presto contas de meu trabalho e atuação no último ano, os quais ganharam novo significado, mediante a missão de responder pela Liderança do Governo Fernando Pimentel no Parlamento estadual. Mas mais do que isso, a obra consiste em um alerta para os “tempos sombrios” que enfrentamos na atualidade.

A expressão foi emprestada do livro “Homens em tempos sombrios”, no qual a célebre filósofa Hannah Arendt lança luzes sobre questões difíceis de sua época, como o totalitarismo - com o nazismo e o stalinismo -, a crise de valores morais e a banalização do mal. Em nossos “tempos sombrios”, enfrentamos desafios similares, que se apresentam com novas roupagens, mas, como no passado, têm a marca do ódio e da intolerância, traduzidos em guerras, terrorismo, xenofobia, violência e violação dos direitos humanos mais fundamentais.

São tempos de perseguição, como define o governador de Minas, Fernando Pimentel, que assina o prefácio do livro. “Tempos que não respeitam famílias, crianças, pais, mães, crenças, dignidade, diversidade e opções políticas, sexuais e religiosas. Tempos medievais. Tempos em que pessoas são julgadas e condenadas à luz de versões, e não de fatos, como se estivessem numa narrativa surreal de Kafka”, constata.

O poeta Fernando Pessoa, ao exaltar as conquistas lusitanas à custa de muito choro e dor, alertava que muitos são os perigos e abismos. Lembrava-nos, no entanto, que tudo vale a pena se há grandeza d’alma e olhar de esperança, pois na travessia de nossos Bojadores temos o espelho do céu como guia.

Outro português, o orador sacro Padre Antônio Vieira, no Sermão de Santo Antônio, em Roma, lembrou que o caminho dos navegadores portugueses ainda estava por ser feito: “Mareavam sem carta, porque eles haviam de fazer a carta de marear”, disse. Esse é o grande desafio dos atuais tempos sombrios: traçar novas rotas, aprender com o passado, reinventar o já estabelecido, fazer novas cartas de marear.

Em suas travessias, como destaca o tribuno, assim como o poeta, os navegadores guiaram-se pelo espelho do céu, pelas estrelas, astros de tantos significados para a humanidade. Ponto de luz, esperança, destino, norte, signo e símbolo. Mas nas noites escuras da história humana, somente consegue se guiar pelas estrelas aqueles que levantam a cabeça; que erguem o olhar e miram o céu.

A reflexões que trago no livro, muitas vezes, sobre temas espinhosos e até impopulares, foram, antes de tudo, uma tentativa de vislumbrar novos caminhos. Recebi apoios e sofri críticas, mas se tiver apontado uma só estrela-guia, terá, sem dúvida, valido a pena. 


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