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Comissão das águas debate pior seca do Jequitinhonha


Nos últimos 20 anos, rios e suas nascentes secaram em proporção jamais vista no Vale do Jequitinhonha, o que coloca na ordem do dia a possibilidade da região virar um deserto


Núcleo de Comunicação Minas Melhor

Possibilidade de desertificação apavora autoridades dos municípios, que pedem ação urgente do Estado para amenizar drama de quase um milhão de pessoas


Convivendo com a pior seca dos últimos 80 anos, o Vale do Jequitinhonha pode se transformar em um imenso deserto em poucos anos se não forem tomadas medidas de recuperação das nascentes dos rios, reflorestamento das matas ciliares e construção das barragens de contenção das chuvas, entre outras providências. A avaliação unânime foi feita por prefeitos, vereadores e autoridades presentes à audiência pública da Comissão Extraordinária das Águas, realizada nesta quinta-feira (10/12) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Autor do requerimento que possibilitou a audiência, o deputado Doutor Jean Freire (PT) ressaltou que a situação do Vale do Jequitinhonha é dramática há décadas e a cada ano está se agrava mais. “O que estamos vivendo é resultado da falta de gestões passadas, que não pensaram no futuro da região, que não projetaram que à água iria faltar”, frisou.

O parlamentar ponderou, contudo, que confia no governo atual. “Penso que o Pimentel terá um olhar diferenciado para a região, construindo políticas duradouras”, salientou.

Os relatos emocionais sobre a situação em que se encontram as cidades dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri e do Norte de Minas se sucederam nas falas dos convidados, que não pouparam críticas às instituições responsáveis pelo sistema hídrico do Estado: Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa) e Serviços de Saneamento Integrado do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Copanor).

O Vale do Jequitinhonha, região situada no nordeste do Estado, ocupa uma área de 79mil km2, tendo uma população de aproximadamente 980mil habitantes. Mais de dois terços dela vive na zona rural. A região é formada por mais de 70 municípios, dos quais 52 estão organizados nas microrregiões Alto, Médio e Baixo Jequitinhonha, e 23 estão integrados à antiga área mineira da SUDENE. Vários diagnósticos apontam que as restrições hídricas e as secas periódicas são fatores cruciais para o baixo desempenho da agropecuária, que mesmo assim ainda responde por 30% do PIB regional.

Atualmente, 39 municípios estão sob a operação da Copasa e 32 pela Copanor. O superintendente da Copasa, Nelson Cunha Guimarães, disse que nos municípios em que a empresa atua “trinta estão em situação crítica com relação à falta de água”, pontuou. Para ele, a seca na região se intensificou devido à situação hidrológica, que teria sido agravada nos últimos anos. “De 2014 para 2015, tivemos índices baixíssimos de chuva, bem inferiores ao período anterior e bem abaixo da média histórica do Vale do Jequitinhonha. A crise hídrica é a mais grave dos últimos 80 anos”, destacou.

Segundo Nelson Cunha, a escassez hídrica é resultado de três fatores: altas taxas de evapotranspiração na região da Bacia Hidrográfica do Rio Jequitinhonha, baixa precipitação e alta demanda por água. Para enfrentar a crise, que o representante da Copasa tem atingido toda Minas Gerais, em 2015, 236 postos subterrâneos foram perfurados no Estado e 41 na Bacia do Rio Jequitinhonha. “Desses, 30 tiveram possibilidade de aproveitamento”, contou. Ele disse, ainda, que cinco poços da região que já existiam e estavam paralisados foram recuperados.
Já o diretor-presidente da Copanor, Alonso Reis da Silva, afirmou que a nova gestão da empresa, que integra o novo governo estadual, vai “fazer de modo diferente” do que vinha sendo feito nos últimos tempos. Segundo ele, a empresa, criada há sete anos, tem obrigação de “amenizar o sofrimento do povo do Jequitinhonha e do Mucuri” com relação à falta d'água. Ele anunciou que, para 2016, haverá um orçamento de R$ 60 milhões para conclusão de obras e mais de R$ 50 milhões (retirados do Fundo de Erradicação da Miséria), para melhorias dos atuais sistemas de água e esgoto existentes na região. “Serão mais bombas, equipamentos e consertos das redes”, salientou. A Copanor utiliza, desde que criada, recursos transferidos do Fundo Estadual de Saúde, por meio da Secretaria de Estado de Saúde.

Alonso Reis explicou que, no ano passado, a partir de setembro de 2014, o repasse do governo do Estado para a Copanor foi interrompido: apenas R$ 29 milhões dos 95 previstos para o ano foram entregues. “Todas as obras tiveram que ser interrompidas. Quando a nova gestão da Copanor assumiu em março de 2015, a empresa tinha, ainda, uma dívida de R$ 23 milhões com empreiteiras e todas as obras seguiam paradas”, destacou.

De acordo com Alonso Reis, o novo Governo do Estado liberou R$ 25 milhões em abril e todas as dívidas foram quitadas na ocasião. “Chamamos, então, as empreiteiras para retomar obras paralisadas e assumimos o compromisso de, até fevereiro de 2016, entregar 90 obras relacionadas a redes de água (48) e esgoto (42), que estavam paradas em 65 localidades da região”, comprometeu-se. “A nova gestão da Copanor imprimiu, portanto, um ritmo novo”, afirmou. De acordo com o diretor-presidente, “recursos para a empresa estão sendo entregues regularmente”.



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