Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes
 
 
Logo Minas Sem Censura Newsletter

Opinião

 
 

Brasil deve repudiar título de campeão do veneno na agricultura

Não há crise de produção de alimentos no mundo. Logo, não há exigência de uso de agrotóxicos para intensificar a produção de algo que estivesse em falta. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 35% dos alimentos produzidos são desperdiçados. Não entra nessa conta a perda com pescados. Desde a colheita, manejo inicial, processamento mais avançado, estocagem e distribuição, é essa a perda calculada dos alimentos no mundo. Não entra, sequer, o desperdício pós-consumo.

Assim, por que entupir as plantações com veneno? Porque a indústria química assim o quer.

Agora pensemos: 10% da população mundial passa fome. E são desperdiçados mais de 35% de alimentos.

Eis o problema. A Comissão Especial da Câmara de Deputados que analisou e aprovou, liberando para o Plenário o projeto do deputado Luiz Nishimori (PR-PR) que flexibiliza o uso de agrotóxicos no País cumpre uma das etapas do golpe dado em 2016, que tirou do poder a Presidente Dilma Rousseff.

Tramitando desde 2002, esse projeto retira a obrigatoriedade de que o Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento, o Ibama e a Anvisa – por unanimidade – licenciem o uso desses produtos nas plantações, dentre outras desregulamentações. O Ibama trata dos impactos ambientais dos citados produtos e a Anvisa cuida dos impactos à saúde. A proposição aprovada na Comissão Especial, e com grandes chances de ser vitoriosa em Plenário, ainda remete aos empresários a responsabilidade de cuidar da proteção dos trabalhadores que forem manipular o veneno.

O Brasil já ostentava o título de maior consumidor de agrotóxico do planeta. Agora ficará imbatível.

É preciso esclarecer também que o uso indiscriminado desses venenos destina-se à produção de commodities e não para demanda interna. Exemplos: soja (50%); o resto é usado majoritariamente para plantações de milho (cujo consumo doméstico no Brasil deriva das pequenas propriedades), de algodão e de açucar. O milho com veneno consumido no Brasil vai para ração que alimenta grandes criações. O resto contamina o mesmo solo onde são, ainda que escala menor, plantados outras culturas que vão à mesa do povo.

Solo, lençóis freáticos e trabalhadores contaminados. Eis a resultante do uso ainda controlado do veneno. Imaginem esse quadro diante na flexibilização do projeto em andamento na Câmara.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Dr. Jean Freire (PT) presidiu audiência pública da Comissão de Participação Popular para tratar do assunto. Especialistas e lideranças relacionadas a agricultura fizeram duras críticas ao projeto, que tira dos ministérios da Saúde e Meio-Ambiente o poder de vetar a utilização de agrotóxicos. Dr. Jean ressaltou que o intuito da matéria é "mascarar a verdade" e dizer que "veneno não é veneno". Sem mobilização social, essa tragédia vai se consolidar em Brasília.


Logo Minas Melhor Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 79 - 3º andar
Santo Agostinho - BH / MG

(31) 2108-7597 minasmelhoroficial@gmail.com
Copyright 2016 Minas Melhor.
Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes