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Presidente da Comissão de Mulheres quer diferenciação de gênero na linguagem como afirmação do feminino

Núcleo de Comunicação do Bloco Minas Melhor / Assessoria ALMG

Foto: Sarah Torres / ALMG

A presidente da Comissão Extraordinária das Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Marília Campos, alertou para o apagamento que o uso convencional da linguagem na literatura exerce em relação ao feminino. Em audiência pública da comissão na Academia Mineira de Letras, na quarta-feira (11/7), ela afirmou que a terminologia institucionalizada foi pensada e criada para discriminar. "Em nome da convenção se justifica uma gramática que foi feita para assegurar e reforçar a existência apenas do masculino”, critica a parlamentar.

A audiência pública discutiu o tratamento do feminino na literatura e na linguagem e a questão de gênero na língua portuguesa. Marília Campos defendeu o uso político de determinados modos de construção da linguagem e disse que “é preciso reivindicar a linguagem para registrar essas existências fluidas, que se modificam e que precisam muito mais de uma adaptação da própria linguagem do que da conformação do sujeito de que os usos são certos e errados”. 

“É longo o caminho para a liberdade, é um caminho de gerações. Às vezes perdemos, às vezes, ganhamos, mas não se pode deixar de lutar”. As palavras foram anunciadas pela escritora moçambicana Paulina Chiziane, para quem a literatura pode ser também esse lugar de resistência.  Convidada especial para o encontro, ela explicou que “são comuns nas escrituras religiosas referências pejorativas à mulher, lembrando que, no Antigo Testamento, Eva é retratada como uma mulher pecadora, a responsável pelo revés da humanidade. Hoje ligamos a TV e a mulher erotizada e pecadora ainda está lá”, afirma a autora, que defendeu o resgate de referências positivas da mulher não só nos textos religiosos, mas em todo e qualquer discurso. Ela ressaltou a urgência de recuperar outras imagens do feminismo e construir um contraponto a esse imaginário já arraigado culturalmente.

Livros - A professora da Universidade Federal Fluminense e diretora da Nandyala Editora, Iris Maria da Costa Amâncio Kamwa, relatou os descompassos existentes entre a linguagem, que é viva e dinâmica, e a gramática, um código que ainda guarda muito da visão eurocêntrica e masculina, com a qual foi concebida.

“Em minha experiência com a edição de textos literários, escritos por mulheres negras, temos apontado o potencial da Literatura de provocar deslocamentos, como a descolonização da língua e mentes, conformando novos imaginários e impondo o enfrentado necessário ao sexismo, ao racismo”, provocou a professora.

Para as participantes da audiência, uma dessas referências é a própria Paulina Chiziane. Além de escritora, ela atuou como ativista política. Nascida em Manjacaze (Moçambique), no ano de 1955, é reconhecida como a primeira mulher, no País, a escrever um romance: Balada de Amor ao Vento, de 1990. Sua escrita, que versa sobre liberdade e igualdade, foi reverenciada e considerada uma inspiração.

Diáspora - Para Ayana Omi Amorim de Oliveira, pedagoga e militante da Juventude Negra da capital, os contos africanos, como os de Paulina, a auxiliaram na construção de sua identidade. Ela se referiu a si mesma como “uma mulher negra, nascida da diáspora africana”. Ayana enfatizou o papel decisivo de sua mãe, que não lhe deu “um nome de escravo”, que apontou nos livros escolares o viés reducionista com que os negros eram tratados: “somos filhos de reis e rainhas, de um povo com estrutura econômica e de engenharia muito avançada, mas que teve o seu destino roubado”, defendeu Ayana.

Ela também destacou o papel de escritas literárias como as das escritoras Conceição Evaristo ou Carolina de Jesus. Para ela, os livros a aproximaram da África, que “não é apenas um território físico”, citando a própria Paulina. A militante disse ainda que aquele encontro era um “sinal de resistência”.

Conceição Evaristo – A candidatura da escritora Conceição Evaristo à Academia Brasileira de Letras (ABL) foi defendida pelas participantes do evento. Ela é uma das mais importantes e reconhecidas autoras do Brasil. Nasceu na Favela do Pindura Saia, região que fica na parte alta da Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte. Em 2017, recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais, pelo conjunto da obra. Foi agraciada com o Prêmio Jabuti, em 2015, com 'Olhos d'água'.

Marília Campos se comprometeu a apresentar requerimento a fim de enviar à ABL manifestação de apoio à escritora.


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