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Opinião

 
 

Lute como uma garota


Era essa a inscrição na camiseta de Manuela D'ávila (PCdoB), no programa Roda Viva da TV Cultura, em 25/06. Candidata a Presidente da República, Manuela seria sabatinada no Roda Viva pela seguinte bancada: Ricardo Lessa (mediador), Vera Magalhães (Estadão/Jovem Pan), Letícia Casado (Folha), João Gabriel de Lima (Exame), Joel Pinheiro da Fonseca (não jornalista do Insper), e Frederico d’Avila (não jornalista e diretor da Sociedade Rural Brasileira).

Seria sabatinada... mas não foi. Foi submetida, de fato, a um processo inquisitório sem precedentes no Roda Viva. Nem mesmo Ciro Gomes (PDT) ou Guilherme Boulos (PSOL), candidatos do campo democrático e progressista, foram tratados com tamanha agressividade. Como já foi divulgado, as respostas dela tiveram 62 interrupções, contra 12 de Ciro e oito de Boulos.

A conduta dos entrevistadores colocou em evidência o termo manterrupting, que significa a fusão de man (homem) com interrupting (interrupção), indicando “homens que interrompem” a fala de mulheres; termo cunhado por Sheryl Sandberg e Adam Grant, em artigo publicado em The New York Times, em 2015, cujo título era Speaking while Female. O bullying praticado contra Manu teve no manterrupting uma ferramenta usada com requintes de opressão inimagináveis, até mesmo pelas jornalistas presentes.

Contudo, ela lutou como uma garota. Bravamente. Além de desenvolver propostas de sua candidatura à Presidência, Manuela D'Ávila reagiu, com vigor, às provocações machistas que caracterizaram o roteiro inquisitorial seguido pelos entrevistadores.

A candidata do PCdoB seguiu a trilha de Dilma Rousseff na resistência ao processo de golpe a que foi submetida. A pré-campanha do impeachment da presidente Dilma teve no machismo e na misoginia dois de seus elementos centrais. Desde as vaias nos estádios da Copa do Mundo de 2014, passando pela sórdida campanha desenvolvida nas redes sociais de internet, nos veículos impressos, rádios e TVs, Dilma teve que enfrentar imensas e diversificadas agressões machistas. Gleisi Hoffman, senadora e presidente nacional do PT, enfrentou no parlamento, nas ruas, aeroportos e outros espaços públicos, ataques do mesmo nível. Foi também foi muito desrespeitada na esfera íntima, com referências negativas à conduta moral dela.

E sua recente absolvição no Supremo Tribunal Federal (STF) de acusações advindas da Lava Jato, pode ser colocada no rol das derrotas do machismo.

As agressões às mulheres expõem a situação do País internacionalmente. O assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco é mais um forte sintoma disso. A morte de Dona Mariza Letícia, sob humilhante cerco da Lava Jato, é reflexo também de uma perversão do Judiciário, que explorou a condição feminina dela no cerco a Lula.

O que aconteceu no programa Roda Viva nada mais é do que o caldo de cultura que sustenta a violência doméstica, o preconceito profissional e outras manifestações da opressão misógina e machista.

Manuela D'Ávila enfrentou o Roda Viva e expôs seus pretensos algozes. Ela não permitiu que eles a calassem.

Eles não as calarão!




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