Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes
 
 
Logo Minas Sem Censura Newsletter

Mais Notícias

 
 

Clima de pânico toma conta da população de Congonhas


Por Ilson Lima

Foto: Sandoval Souza

Pânico. É o sentimento que tomou conta dos moradores de Congonhas, especialmente dos que fazem parte das cinco mil famílias que estão a poucos quilômetros do complexo de rejeitos minerário Casa de Pedra da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), após o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana.

Dezenas de representantes dessas comunidades compareceram nesta quarta-feira à audiência pública realizada na Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa, na qual os moradores dos bairros Residencial Guálter Monteiro, Cristo Rei, Lucas Monteiro, Dom Oscar e Barro Preto, puderam externar o medo assombroso de que sejam vítimas de outra tragédia em proporções maiores da que se abateu sobre a população de Bento Rodrigues.

Presidente da Comissão, a deputada Marília Campos (PT) afirma que o medo da população de Congonhas tem sentido. “Só quem está vivendo essa situação dramática, que atingiu milhões de pessoas, após o rompimento da barragem em Mariana, ou quem está no entorno dessas barragens, como o povo de Congonhas, é que pode falar desse temor”, disse.

Para ela, o clima de pânico instalado naquela cidade, que fica a 83 quilômetros de Belo Horizonte, aumentou não só após a catástrofe de Mariana, mas pela própria experiência vivida por seus moradores. O que agrava o temor da população é o fato de que a Barragem de Casa de Pedra se localiza no espaço urbano do município, está a 934 metros acima do nível do mar, o equivalente a um prédio de 30 andares.

Além disso, o medo é realçado pelo interesse da CSN em ampliar a barragem em 10 metros de altura, passando-a para 944 metros. O interesse da mineradora, com isso, é puramente econômico, elevando a sua produção de minério de ferro de 28 milhões para aproximadamente 50 milhões de toneladas/anuais, segundo alguns vereadores da cidade presentes à audiência.

O deputado Rogério Correia (PT), que compareceu à audiência e é relator da Comissão Extraordinária das Barragens, reafirmou sua posição de que as mineradoras agem no Brasil e em Minas como se o País e o Estado fossem “casa-da-mãe-joana”, onde fazem o que querem para preservar seus interesses. “Viramos reféns da mineração, que mesmo com a queda do preço do minério no mercado, aumentou a produção em 32%, ou seja, o que aumentou foi a superprodução das empresas e não a segurança dos moradores no entorno das barragens”, ressalta.

Ele frisou, ainda, que engana-se que acha que o novo Código de Mineração que está tramitando no Congresso Nacional vai abordar os interesses da sociedade. “Ddo jeito que está proposto, o Código de Mineração é um retrocesso, tem que mudar muita coisa nele”, pondera. O parlamentar ironizou ainda a postura da Vale, que é sócia da BHP Billinton na Samarco. “A Vale, entregue à iniciativa privada a preço de banana no processo de privatização do governo FHC, matou o Rio Doce duas vezes. A primeira ao tirar o nome do rio do seu nome e agora com a maior tragédia socioambiental, provocada pela mineração em nosso Estado ”, provocou.

Em razão dos debates, foram aprovados vários requerimentos, além da solicitação de audiência pública conjunta com a Comissão Extraordinária das Barragens e visita às barragens da CSN e Vale na região de Congonhas, solicitada pela deputada Marília Campos e pelo deputado Rogério Correia. Os mesmos parlamentares aprovaram uma manifestação de apoio ao Congresso Nacional para aprovação do Marco Regulatório da Mineração; e o envio das notas taquigráficas da reunião para a Comissão Extraordinária das Barragens e para o Ministério Público.




Logo Minas Melhor Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 79 - 3º andar
Santo Agostinho - BH / MG

(31) 2108-7597 minasmelhoroficial@gmail.com
Copyright 2016 Minas Melhor.
Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes