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Comissão das Mulheres denuncia condutas que associam condição feminina ao tratamento psiquiátrico

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Foto: Sarah Torres / ALMG

Os avanços em políticas públicas de saúde não conseguiram acabar com o preconceito contra mulheres em situação de fragilidade e depressão. Durante audiência pública da Comissão Extraordinária das Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a deputada Marília Campos (PT), alertou para os excessos de tratamentos medicamentosos em que a condição feminina, que coloca as mulheres em situação de maior dependência, é vista como patologia e, muitas vezes, como um caso de saúde mental. 

"São tantos os retrocessos operados pelo atual governo federal na saúde, em especial na saúde mental que se refletem em particular sobre as mulheres, que temos que entendê-los para enfrentá-los com força e eficácia. As mulheres precisam ser distinguidas em sua multiplicidade, para que suas necessidades sejam atendidas nas políticas específicas para o segmento. E no Legislativo temos que continuar lutando por um ambiente sem manicômios e com atendimento de qualidade”, pontuou Marília, que é presidente da comissão.

A audiência aconteceu por requerimento das deputadas Marília Campos, Geisa Teixeira (PT), vice-presidente da Comissão e Celise Laviola (PMDB), atendendo pedido do Conselho Regional de Psicologia (CRP) e de outros setores da saúde, para ampliar as discussões sobre os problemas citados. Este ano o Dia Nacional de Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, teve como tema as mulheres e a luta pela democracia. As convidadas denunciaram a extinção de projetos públicos de saúde mental e alertaram para o machismo que contamina a medicina tradicional que ainda associa a mulher à loucura.

Pesquisas - Para a psicóloga Melissa Oliveira, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e organizadora do livro "Luta Antimanicomial e Feminismo: discussões, de gênero, raça e classe para a reforma psiquiátrica brasileira", dados de pesquisas de cinco universidades do País apontam que os tratamentos psiquiátricos estão sendo realizados de maneiras diferentes entre os pacientes, dependendo do gênero. Em seu relato, a psicóloga fez um retrospecto das primeiras associações entre mulher e loucura no século 19 e que, até recentemente, os hormônios foram usados para justificar alterações de toda ordem, numa associação direta entre o corpo da mulher e sua condição mental.

"Os estudos foram realizados em diferentes estados brasileiros e, entre os resultados, há mostras de que as mulheres tomam duas vezes mais medicamentos ansiolíticos e psicotrópicos do que os homens e usam essas drogas por um tempo 75% maior”, afirma. Melissa relatou a fala de um psiquiatra que disse que "O Rivotril está para a mulher, assim como a cachaça está para o homem. Essa frase ilustra um pensamento vigente, que não é científico, mas é tratado como usual", denunciou a pesquisadora.

Em seus estudos para a preparação do livro, os profissionais quiseram desassociar o tratamento de sofrimento mental com internação continuada, pois a visão tradicional da lógica manicomial ainda tende a imperar. "Nós queremos é justamente o oposto disso, não a busca da reabilitação do indivíduo, mas sim a reabilitação da cidade como meio de vida, de circulação e campo da narrativa das histórias de vida, de usuários ou não da rede clínica. É pensar como as cidades podem acolher várias formas de ser, existir e estar no mundo”, sintetizou Melissa.

Retrocesso - O retrocesso na política de saúde mental do Brasil também foi destacado por Lourdes Aparecida Machado, presidente do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais e coordenadora da Comissão Estadual da Reforma Psiquiátrica. Para Lourdes, no contexto dessa retirada de recursos da saúde, mulheres e outras minorias são as que mais sofrem. A psicóloga cita a Portaria 3.588, de 2017, do Ministério da Saúde, que trata da Rede de Atenção Psicossocial. "Na prática a medida significa o retorno da lógica dos manicômios para o Sistema Único de Saúde (SUS)", alertou.

Humanização -A médica Ana Marta Lobosque, ativista da luta antimanicomial e psiquiatra do Centro de Referência em Saúde Mental da Criança e Adolescente em Belo Horizonte, analisa que todas as mulheres e homens têm que ser solidários com aquelas que sofrem a opressão de classe e de cor e que são diagnosticadas como oprimidas.

“A depressão é uma forma de nomear infelicidade e isso não é doença, mas sinal de que a vida está precisando mudar”, afirma a psiquiatra. Ela lista entre os problemas as mães de crianças com sofrimento mental e que têm o pai ausente, as que dependem financeiramente dos maridos e as que tiveram os filhos retirados na maternidade.

Racismo - Marta Soares, ativista da Experiência do Suricato, centro de saúde mental alternativo da capital, recontou as violências que as mulheres negras sofreram ao longo da história do Brasil, sendo mutiladas em sua sexualidade e de acesso aos meios de produção. "Ainda hoje assistimos a negação da existência do racismo em nossa sociedade e isso só dificulta o seu combate. Ouvimos hoje relatos que colocam as negras como maioria em tratamentos desumanizados. Ao homem é dado o direito de se extravasar, mas o mesmo comportamento feminino é visto como loucura", finalizou.


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