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Opinião

 
 

Incêndio e desabamento da verdade


A tragédia que se abateu sobre os moradores do edifício Wilton Paes de Almeida – que desabou depois de incêndio, no Largo do Paissandu, em São Paulo, no 1º de maio –, alastrou-se para as redes sociais e para as páginas da imprensa, com falas de autoridades e candidatos em São Paulo, também na forma de mais um incêndio e mais um desabamento: o da verdade.

No calor do desastre, João Dória, candidato a governador pelo PSDB – que abandonou a gestão da prefeitura da capital de São Paulo - teve como prioridade a criminalização dos movimentos sociais de luta por moradia popular, chamando-os de “facção criminosa”. O tucano Geraldo Alckmin que, igualmente, abandonou o governo paulista e se candidata à presidente da República, também responsabilizou as vítimas pela trágedia que lhes acometeu. Michel Temer tentou ganhar prestígio com o acontecido, justificando que “pegava mal”, estando ele em São Paulo, não comparecer à área do sinistro. Saiu de lá escorraçado.

Parte da chamada grande imprensa não ficou atrás. Um traço de união identificava a cobertura sensacionalista da tragédia: os ataques aos movimentos de lutas por moradia. Insensível, repórter de uma emissora de televisão perguntava a um bombeiro militar envolvido no resgate sobre a legalidade da ocupação. Ela recebeu a resposta que merecia: ele estava ali para salvar vidas e não julgar a legalidade da ocupação.

Nas redes sociais da internet, o trágico “Fla X Flu” que caracteriza a miserável polarização política do País reproduziu, em nível mais baixo ainda, o quadro acima. As vítimas foram transformadas em culpadas por serem pobres, sem-casas, lutadoras sociais. A parte foi apresentada como o todo: o Movimento de Luta por Moradia Digna (MLPD), responsável pela ocupação, foi denunciado como organização representativa de todos os movimentos sociais que têm como causa a superação do déficit habitacional no Brasil.

Contudo, uma verdade sobrevive aos escombros disso tudo: o déficit de cerca de 7 milhões de moradias no País é fruto também de “invasões” e “ocupações” de especuladores imobiliários, grileiros e “latifundiários” urbanos que marcam aqui o início de todas as cidades. Ninguém pode apagar essa trágica história.

Nesse sentido, as vítimas do incêndio do Largo do Paissandu são as provas vivas, algumas mortas, de que um abismo de mais de cinco séculos separa brasileiros e brasileiras.



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