Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes
 
 
Logo Minas Sem Censura Newsletter

Opinião

 
 

Sabe-se como se inicia uma intervenção militar...

... mas não se determina, de antemão, seu desfecho.

Guerra se declara ao inimigo externo. No âmbito interno, o Estado não tem amigos ou inimigos. Combate o crime dentro dos marcos constitucionais e legais que lhe são impostos“.
(de Nota Técnica do MPF sobre a intervenção no Rio de Janeiro)


O presidente Michel Temer tentou desviar o foco da derrota anunciada de sua Contrarreforma da Previdência Pública. Esse foi o estopim do decreto que definiu a intervenção federal no governo do Rio de Janeiro. Parte da base golpista no Congresso Nacional reclamava do sacrifício eleitoral que podia ser votar a favor da retirada de direitos previdenciários.

Percebendo tal dificuldade, Temer adota uma medida populista que – constitucionalmente – impediria a votação de emendas à Carta da República. Ao fazer uso da ação militar como esteio da intervenção federal no estado do Rio Janeiro, Temer viu descortinar novas possibilidades. A principal delas foi desviar o foco dos problemas mais gritantes do País (desemprego, sucateamento da indústria nacional e corrupção desenfreada, entre outros) para um terreno onde a pirotecnia surte algum efeito, de imediato.

Na sequência de tudo, ele vislumbra que tal atitude poderia esvaziar a estabilidade da candidatura Bolsonaro, além de chamar a esquerda para um terreno pantanoso: o do debate superficial dos direitos humanos, “criminalizado” pela repressão e intimidação policial militar em comunidades pobres do Rio de Janeiro, principalmente em sua capital.

E agora, nessa fase de euforia inicial, ele chega até mesmo a cogitar a possibilidade de reeleição!

Porém, nem tudo é “céu de brigadeiro”, em seu voo populista. Já existe muito material qualificado, uma massa crítica de intelectuais, gestores públicos, ativistas sociais (sobretudo nas lutas contra o racismo e o extermínio da juventude pobre) e parcelas significativas da população que sabem da ineficácia da tal intervenção militar. E no seio das Forças Armadas a controvérsia já teve registro público: sabe-se da impossibilidade de se debelar a criminalidade, em qualquer dimensão que for, dessa forma atabalhoada e eleitoreira, como a adotada por Temer.

Acrescente-se aí algo preocupante: os militares vislumbram nessa atitude algo que pode ser útil à caserna, que – partindo de sua valorização perante a população – se imagina obtendo melhorias remuneratórias, que os aproximem das castas do Judiciário. Até porque, o fracasso do decreto de Temer não pode ser jogado nas costas dos quartéis.

Além do aparato material de repressão, o terror é o que une posturas díspares na população afetadas: de um lado, uma aprovação inicial, por uma parcela, já que a presença ostensiva de homens fardados nas ruas produz uma falsa sensação de segurança; e, de outro, já movimenta uma indignação de setores submetidos a revistas truculentas e toda sorte de humilhações em público.

De resto, a postura do governador Luiz Fernando Pezão também é lastimável. Ao invés de governar, investir no enfrentamento dos problemas sociais, como se prioriza em Minas Gerais por exemplo, ele prefere o caminho aparentemente mais fácil: terceirizar o poder político do estado que não mais governa.

A aventura de Temer sabe bem como começou. Mas não sabe como vai terminar. Brincar de apostas, nesse sentido, é uma irresponsabilidade.


Logo Minas Melhor Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 79 - 3º andar
Santo Agostinho - BH / MG

(31) 2108-7597 minasmelhoroficial@gmail.com
Copyright 2016 Minas Melhor.
Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes