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Valorização e preservação da cultura negra em Minas Gerais é contraponto para discurso de ódio

Núcleo de Comunicação - Bloco Minas Melhor
Foto: Reprodução

Pedindo licença à ancestralidade negra e ao som do rufar dos tambores da Companhia de Dança Baobá Minas, a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa realizou na quarta-feira (29/11) audiência pública para discutir a preservação das manifestações que compõem a cultura negra brasileira. O encontro aconteceu por solicitação do 1º secretário da Assembleia Legislativa, deputado Rogério Correia (PT).

“A audiência é para valorizar a cultura negra, valorizar a afrodescendência e, principalmente, combater o racismo. Isso é fundamental nos dias de hoje. Tem prevalecido uma política de ódio contra negros, homossexuais, mulheres e com quem pensa diferente”,  comentou Rogério Correia, destacando que o combate à intolerância precisa ser feito “mostrando o que os negros têm de positivo”.

“É preciso que a sociedade saiba quem está promovendo esse tipo de preconceito”,  ressaltou o parlamentar, fazendo referência ao crescimento dos discursos carregados de radicalismo e discriminação.

Presidente da Comissão de Cultura, o deputado Bosco (Avante) frisou a importância da proteção às manifestações culturais afrodescendentes. “Preservar a cultura de matriz africana é preservar a história de todos nós, mineiros e brasileiros”, disse.

Prêmio Zumbi - A audiência contou com a participação da produtora cultural Júlia Bertolino, diretora da Companhia Baobá Minas e idealizadora do Prêmio Zumbi, que condecora personalidades negras nas mais diversas vertentes da cultura belorizontina. Em 2017, a premiação foi realizada pela oitava vez.

“O objetivo do Prêmio Zumbi é a valorização dos mestres de cultura popular e dar visibilidade aos artistas mineiros”, contou Júlia, acrescentando que a premiação também visa “combater o racismo e buscar ações afirmativas e atividades culturais que promovam questões relacionadas à identidade”. Júlia, que é antropóloga e jornalista, lançou em junho do ano passado o livro “Herdeiros de Zumbi – Mestres e artistas homenageados pelo Prêmio Zumbi de Cultura – Cia Baobá Minas”.

Na edição deste ano do Prêmio Zumbi, realizada no último dia 22, foram distribuídas onze homenagens. Agraciada com a premiação na categoria Protagonismo Juvenil, a jornalista e ativista Sarah Santos também compôs a mesa. “Nós, o povo negro, somos desumanizados a todo momento. O tempo todo tentam tirar nossa cultura e nossos saberes”, argumentou a integrante da Coordenação das Entidades Negras do Brasil (Conen), Eva Alves Pereira, salientando a importância do prêmio como mecanismo de empoderamento negro.

Samba - Quando José Luiz Lourenço, o Mestre Conga, nasceu, o mais brasileiro dos gêneros musicais tinha menos de uma década de vida. Um dos maiores expoentes da cultura negra em Minas Gerais e membro da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte, Mestre Conga participou da audiência e cantou ao fim do encontro.

“Antes éramos escravos dos brancos. Hoje continuamos sendo escravos, mas agora do sistema em que vivemos”, opinou. “O samba, assim como todo o movimento de matriz africana, é uma resistência. O samba é alegre, triste e religioso. É uma herança muito boa que nossos antepassados deixaram”, acrescentou. “São muitos anos de preconceito. Vamos lutar [contra o racismo] enquanto a gente tiver forças”, sentenciou o sambista, do alto dos seus 90 anos de idade.



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