Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes
 
 
Logo Minas Sem Censura Newsletter

Mais Notícias

 
 

Comissão quer relatório semestral da Renova sobre reparação a atingidos por rompimento de Barragem

Décio Junior - Núcleo de Comunicação Bloco Minas Melhor

Foto: Reprodução

A Fundação Renova, criada para reparar os danos ambientais e sociais provocados pelo rompimento da Barragem de Fundão, no Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, será acionada a cada seis meses pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais para prestar contas do que está sendo feito, depois de dois anos do crime que matou 19 pessoas.

A convocação será feita pela Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo deputado Cristiano Silveira (PT), que na segunda-feira realizou audiência pública para debater as ações que estão sendo tomadas em torno da tragédia.

De acordo com o deputado Rogério Correia (PT), que ao lado dos deputados Celinho do Sinttrocel e Geraldo Pimenta, ambos do PCdoB, e do próprio presidente da Comissão assinou o requerimento que deu origem à audiência, “é preciso apertar a Renova” para que a reparação possa ser mais eficiente.

“Há muitas reclamações de pessoas atingidas e que não estão tendo os seus direitos respeitados. Com relação ao meio ambiente, a água continua contaminada de minério e a limpeza das margens dos rios não foi feita. Existem paliativos como a construção dos diques, mas que não resolvem o problema da poluição, ou seja, o minério continua indo para água”, relatou o parlamentar.

De acordo com o presidente da Comissão, Cristiano Silveira, algumas indenizações foram pagas, mas dentro do prazo de dois anos pouca coisa foi feita pela Fundação. “Já deu tempo de indenizar todo mundo. Dos R$ 8 milhões, apenas R$ 2,5 milhões foram aplicados até o momento. A Renova disse que o prazo será cumprido, mas isso significa esperar por mais um ano e meio”, lamentou.

Para a deputada Celise Laviola (PMDB), a Fundação precisa olhar para os problemas “com os olhos dos atingidos”, para melhor compreender as dificuldades das pessoas. “É preciso alcançar toda a comunidade atingida. Chegou a hora de termos investimentos para melhoria e recuperação da água, e alternativa de captação”, defendeu.

Para André Sperling, promotor de justiça e coordenador de Inclusão e Mobilização Sociais (CIMOS), a demora pelo pagamento das indenizações se dá pela complexidade da situação. “Não é tão simples, pois estamos falando de pelo menos 500 mil pessoas atingidas e existem muitos órgãos envolvidos. Além disso, temos dificuldades de relacionamento com as empresas, mas estamos lutando para que as pessoas tenham uma reparação integral e não uma reparação qualquer. Tem que haver uma indenização justa para os atingidos, mas uma indenização justa e integral que inclua os danos materiais e morais, além dos projetos de vida das pessoas”, defendeu.

Atingidos – Dentre tantos personagens, Marta Arcanjo é mais uma vítima da tragédia de Mariana a lamentar pela falta de assistência. Ex-moradora da área rural de Paracatu de Baixo, ela conta que a lama que escorreu da barragem tomou toda a propriedade dela e que após morar de favor na casa de parentes, hoje recebe um cartão de R$ 1,2 mil, silagem para as vacas e a família não tem como produzir nem onde criar os seus animais. “A minha filha tinha animal na baia e teve que levar para casa dela, em Mariana, e está com ela na garagem. Curral, nós tivemos que improvisar porque a empresa não ajudou. Nós perdemos tudo, saímos com a roupa do corpo”, relatou.

Guilherme Camponêz, coordenador estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), reclamou não só da lentidão para as indenizações como também da injustiça contra o crime cometido pela Samarco. “Já se passaram dois anos e até hoje nenhum culpado foi responsabilizado. Neste momento, o processo se encontra suspenso, ou seja, não existe garantia de que os responsáveis serão punidos”, denunciou.

Ele questionou a alegação de que os atingidos se negaram a negociar com as empresas e disse que, desde o princípio das tratativas, a Samarco se portou dessa forma. “O que a gente vê é um processo autoritário, com participação nula ou reduzida dos atingidos e a todo momento a empresa tentando dirigir os processos, seja diretamente ou por meio de suas ferramentas como a Fundação Renova, criada a partir de um acordo sem a participação dos atingidos”, relatou.



Logo Minas Melhor Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 79 - 3º andar
Santo Agostinho - BH / MG

(31) 2108-7597 minasmelhoroficial@gmail.com
Copyright 2016 Minas Melhor.
Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes