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Em assentamento do MST, Lula volta a propor referendo contra medidas de Temer


Lula e os camponeses em Periquito/MG

Edição: Núcleo de Comunicação Bloco Minas Melhor 

Foto: Ricardo Stuckert

No segundo dia da Caravana Lula pelo Brasil, em Minas Gerais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi até o município de Periquito, na manhã da terça-feira (24/10), para conhecer um viveiro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com 150 mil mudas para reflorestamento em áreas desmatadas. Os deputados do PT Rogério Correia, André Quintão e Marília Campos acompanharam a visita.

Lula foi recebido por centenas de camponeses que trabalham no viveiro e moram no acampamento Liberdade. Eles conversaram com o ex-presidente, enquanto caminhavam em meio a mudas de cedro, ipê e paineira rosa, cultivadas no viveiro Silvino Gouveia, manejados com técnicas da agroecologia que dispensam o uso de veneno. O presidente brincou que estava de fato com os pés no barro.

O líder do Bloco Minas Melhor, deputado André Quintão (PT), lembrou da importância que a agricultura familiar teve nos governos de Lula. "A agricultura familiar responde por quase 80% da alimentação do povo brasileiro. Por isso é muito importante possibilitar o acesso à terra, o crédito para os plantadores, viabilizar a assistência técnica e as redes de comercialização. Foi assim durante o governo Lula e é o que precisamos agora para retomarmos o desenvolvimento econômico e social. Precisamos lutar contra todos os retrocessos sociais e resistir juntos para buscar um Brasil melhor", analisou o deputado.

Como no primeiro dia da caravana, Lula voltou a propor a realização de um referendo revogatório, caso dispute e vença a eleição em 2018, sobre as medidas impopulares aprovadas pelo governo Temer, como a "reforma" trabalhista e emenda que congela gastos sociais por 20 anos.

A deputada Marília Campos (PT) ressaltou a força do ex-presidente  que acusou seus opositores de vender o Brasil, com um discurso forte pela reforma agrária. "Em sua conversa com os trabalhadores e trabalhadoras rurais, ele falou da necessidade de se manter acesa a chama da esperança e a luta por um país melhor. E fez compromissos importantes como convocar um referendo revogatório das reformas promovidas pelos golpistas, como a trabalhista e rever a PEC que congela por 20 anos os gastos do Estado em áreas sociais e quer ainda reverter as privatizações. É disso que o país precisa", completou.

O agricultor Agostinho, de 77 anos, trabalha no viveiro e declarou que ainda acredita em justiça social no país. "Apesar dos golpes, ainda reina um pouco de esperança. Lula faz parte dessa esperança. Espero ver, ainda vivo, essa tal reforma agrária acontecer no Brasil”.


Soberania de volta "Vocês sabem que esse país sofreu um golpe, que tem interesses outros além do Brasil, para que se possa retirar direitos, vender empresas públicas importantes. Querem destruir a Petrobras, estão vendendo o pré-sal, que a gente tinha decidido criar um fundo para investir em saúde e educação. Estão acabando com a indústria naval, com a petroquímica. Querem vender o Banco do Brasil, destruir o BNDES. Estão vendendo tudo", falou o presidente.

Lula afirmou que o País vive, portanto, uma briga para recuperar a sua soberania. Observou que além de empresas públicas e riquezas naturais está sendo atacada a soberania. "Pela maneira com que o povo vem sendo tratado, e pela maneira que somos tratados pelos outros povos. Lamentavelmente o Brasil está perdendo", disse.

Outro trabalhador lembrou que a crise hídrica que afeta as populações da região se deve também a destruição das matas ciliares, que comprometem a saúde dos rios e nascentes. As mudas produzidas no viveiro, que conta com o apoio do governo estadual, também serão destinadas a recuperar a vegetação das margens dos rios mineiros. Os trabalhadores responsabilizam latifundiários e mineradoras pela devastação causada na região. 

Dignidade - Lula afirmou que é possível viver com dignidade no campo, quando o pequeno produtor tem acesso à terra e conta com assistência técnica e financiamento, mas ressaltou que o governo Temer acabou com o Programa de Aquisição de Alimentos, criado em 2003, destinado a comprar o excedente produzido pelo agricultor familiar, além de cortes no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). 

Disse ainda que nos governos petistas foram destinados cerca de 52 milhões de hectares de terra para assentamentos, o que representa quase metade de todo o esforço pela reforma agrária realizada pelo país ao longo da história, mas que é preciso fazer ainda mais, já que a agricultura familiar é responsável pela maior parte dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro. 


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