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Debate sobre liberdade de expressão artística envolvendo política e religião deve ser ampliado

Décio Junior - Núcleo de Comunicação Bloco Minas Melhor

Foto: Reprodução

O debate em torno da liberdade de expressão artística realizado pela Comissão de Cultura em audiência pública na segunda-feira envolveu arte, política e religião e deixou uma provocação para ampliação do debate. A análise foi feita pela deputada Marília Campos (PT), que presidiu a reunião e foi autora do requerimento para a realização dela, junto com o 1º vice-presidente da Assembleia, Rogério Correia (PT).

Para Marília, primeiro é preciso que a liberdade artística seja garantida, o que se torna uma responsabilidade também do Poder Legislativo. No entanto, ela reconheceu que o momento político pelo qual passa o País, com o fortalecimento de forças retrógradas e pensamentos conservadores, tem massacrado os artistas e as formas de eles se expressarem. “A liberdade artística sempre foi ameaçada no Brasil em momentos em que se aguçou muito o conservadorismo e regimes totalitários. É esse o momento que estamos vivendo. Um momento de golpe político e de retirada de direitos sociais de maneira intolerante”, frisou.

A deputada ressaltou a importância da discussão e disse que o assunto ainda não foi esgotado. “Termino essa audiência com mais perguntas do que respostas, mas com a certeza de que temos que radicalizar a luta pela liberdade artística, política e religiosa, mas acima de tudo a luta pela democracia”, reforçou.

O deputado Léo Portela (PRB), um dos críticos à exposição “Faça você mesmo sua Capela Sistina”, de Pedro Moraleida, defendeu o debate, mas afirmou que há radicalismo de ambas as partes. Mesmo assim, frisou que a arte não pode ser censurada nem mesmo a uma criança. “A arte é livre, mas a liberdade não pode ser manto para a prática delituosos. A linha entre a liberdade de expressão e o crime é muito tênue e, num estado democrático de direito, é preciso respeitar a legislação”, defendeu.

Para o vice-presidente da Associação Curta Minas, Guigo Pádua, dizer o que pode ou não pode está atrelado ao poder e os poderosos, muitas vezes, se valem de intimidação, perseguição, provocação e medo. “E muitas vezes o público acaba se deixando manipular”, alertou.

A defesa mais assertiva por parte da classe artística ficou por conta da professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG), Marta Neves, autora da exposição "À Boca Pequena", também no Palácio das artes. Ela disse que “a arte não é cooptada é trans” e citou trechos do espetáculo “O evangelho segundo Jesus Rainha do Céu” da britânica Jo Clifford, que esteve em cartaz em Belo Horizonte, mas que em outras cidades, como São Paulo, só conseguiu na Justiça o direito de exibição. Ela acrescentou Clifford, uma dramaturga trans, escreveu a peça pensando Jesus como um oprimido falando aos oprimidos. “Cometem erros aqueles que pensam que o objetivo da obra é confundir crianças ou transformá-las em gays. Não se impõe um gênero a pessoa nenhuma”, concluiu.

O representante do Executivo estadual, João Batista Miguel, relembrou a construção do Plano Estadual de Cultura com a participação de artistas de todo o estado e questionou a censura prévia por quem desconhece a arte. “Muitas opiniões expostas na rede social, falada ou gritada partem de quem não assistiu a exposição e nada é mais cômico do que criticar um livro que não se leu”, alertou.


Retrocessos - A deputada Marília Campos reforçou que as críticas conservadoras vão para além da Cultura. "Estamos verificando um retrocesso também com a ideia de criação da escola sem partido e com a perseguição às religiões afrodescendentes. Então essa cultura autoritária toma conta da sociedade e cria legislação para proibir ou inibir essas manifestações”, observou. 




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