Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes
 
 
Logo Minas Sem Censura Newsletter

Mais Notícias

 
 

Só união de esforços pode salvar a Bacia do Rio Fanado


Trecho do Rio Fanado na cidade de Minas Novas, com baixa quantidade água

Núcleo de Comunicação do Bloco Minas Minas Melhor

Foto: Copasa

A união entre os poderes públicos pode ser a solução inicial para o desastre ambiental que afeta toda a bacia do Rio Fanado, no Alto Jequitinhonha, e deve contar com a participação da Copasa e Emater, a partir de um novo modelo de exploração das terras que circundam o lugar. Os esforços para encaminhar soluções para os graves problemas que afetam toda a bacia foram debatidas em audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia, solicitada pelo deputado Dr. Jean Freire (PT), na terça-feira (17/10). O parlamentar, que é também presidente da comissão, sugeriu a criação de um grupo de trabalho no governo do estado para discutir a implementação de ações para salvar o rio.

“O Rio Fanado vem sofrendo com desmatamento, assoreamento do seu leito, despejo de esgoto não tratado pela Copasa e Copanor, e pelo lixo despejado pela população e por outros órgãos públicos. Os 37 córregos que alimentavam o rio já não correm mais, com raras exceções. O povo não aguenta a falta de atitude. Temos que achar saídas para essas questões, como a criação de um fundo que possa encaminhar recursos estaduais para a região”, analisou Dr. Jean. Com cerca de 120 km de extensão, o rio passa pelos municípios de Angelândia, Capelinha, Turmalina e Minas Novas. Devido ao desmatamento e poluição, o Fanado corre risco de ser extinto em poucos anos.

Copasa - O diretor de Operações Norte da Copasa, Gilson de Carvalho Queiroz Filho, reconheceu as deficiências da empresa e lembrou que as soluções devem ser coletivas. “A água é usada para beber e também para a agricultura, por isso temos que encontrar um equilíbrio no uso, pois as chuvas diminuiram muito de volume nos aúltimos anos. A monocultura de eucalipto, por exemplo, deve ser mais bem regulada pelo Estado”, salientou. 

Gilson citou os programas estaduais como o Cultivando Água Boa, o Pro-Manaciais e o Plantando o Futuro, como ações de recuperação de bacias hidrográficas e nascentes. Ele reconheceu que a Copasa e sua subsidiária Copanor têm um passivo no que se refere ao recolhimento de esgoto. Mas, segundo ele, hoje existem mais recursos para o incremento de iniciativas e investimentos ambientais. “Podemos e queremos trabalhar nas diversas regiões do Estado, inclusive na bacia do Rio Fanado”, garantiu.

Dr. Jean Freire argumentou que não é contra o cultivo do eucalipto, mas admitiu que há urgência na regulamentação de seu plantio para que haja maior equilíbrio entre terras plantadas por agricultura familiar e pelo agronegócio. “Precisamos de maior cumprimento da lei para que todos possam sobreviver. Todos erramos nos últimos anos na conservação dos rios e no uso da água. Agora é hora de pagarmos pela água que consumimos. Agricultores, empresas e até a Copasa”, cobrou o presidente da Comissão.

Soluções - O 1º secretário da Assembleia, deputado Rogério Correia (PT), apresentou requerimento para articular um programa que possa unir estado, município e União no combate a crise hídrica na região. E chamou a atenção para a falta de pessoal em instituições como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), que auxiliam e orientam as populações com modelos de desenvolvimento sustentável para a água. “Estamos na luta pela aprovação de um novo concurso público na Emater para ampliar o quadro técnico na região. Esse concurso está parado desde o ano passado no Tribunal de Contas, devendo ser liberado ainda este ano. Será de grande valia para todos”, garantiu.

A preocupação com uma política pública que possa destinar recursos para a preservação das nascentes de rios e que aumente a fiscalização sobre o uso das águas, foi ressaltada pelo deputado Gustavo Santana (PR). “As políticas de conscientização e de fiscalização são atitudes urgentes, lembrando que as empresas que se utilizam das águas também devem ser responsabilizadas pela preservação ambiental”, destacou.

Mobilização - A situação precária em que se encontram os municípios da bacia do Rio Fanado, alguns em estado de calamidade pública pela falta de recursos financeiros, foram justificativas apresentadas pelos respectivos prefeitos como impedimento para a revitalização das nascentes e outras benfeitorias que possam reverter o quadro atual. As comunidades locais se mobilizaram e criaram o Movimento SOS Fanado, que reúne ambientalistas e demais interessados em chamar a atenção das autoridades e da população para a gravidade e urgência da situação. Entre outras iniciativas, o movimento cobra a instalação de fossas sépticas, sumidouros, lagoas de estabilização (barraginhas) e estações de tratamento que diminuam a poluição das águas.

O coordenador do Movimento, Daniel Costa Souza, defendeu que o Estado realize ações para recuperação e proteção de nascentes, assim como de fiscalização das outorgas de água. "Os municípios precisam resolver a questão do saneamento básico em seus limites, notadamente nas margens do Fanado, que é o mais importante bem natural da região e está em decadência total. E cobrar a inclusão do rio no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG)”, cobrou o ambientalista.

Detritos – Alan Oliveira, do Centro de Agricultura Alternativa Vicente de Nica - CAV Turmalina, lamentou que ainda exista uma mentalidade que culpe os agricultores familiares pela poluição e desgaste dos rios. “Nos anos 1970, o governo federal só financiava a agricultura feita com agrotóxicos, estimulando o uso de fertilizantes. Essa prática se espalhou no Brasil afora e hoje a própria Emater corrige esse erro, orientando as pessoas pelo suo correto do solo. E a sociedade tem que entender que a monocultura é que desequilibra o solo, não a agricultura familiar, que pode até ajudar na recuperação de nascentes e reduzir o consumo de água para a plantação”, esclareceu.

A deputada Marília Campos (PT) e o deputado Geraldo Pimenta (PCdoB) manifestaram seu apoio em defesa do Rio Fanado e pediram uma melhor gestão das águas dos rios mineiros. Marília comparou a situação do Fanado com os perigos que a bacia de Várzea das Flores, em Contagem, vem sofrendo, por especulação imobiliária. "As águas de Minas pedem socorro", alertou. 


Logo Minas Melhor Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 79 - 3º andar
Santo Agostinho - BH / MG

(31) 2108-7597 minasmelhoroficial@gmail.com
Copyright 2016 Minas Melhor.
Facebook Youtube Twiter Sound cloud
nas redes