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Opinião

 
 

A absurda banalização da pedofilia

Vamos falar sério sobre pedofilia e outras violações de direitos de crianças e adolescentes no Brasil? Sim, porque a recentíssima histeria coletiva contra supostos casos de incentivo à pedofilia, em face de eventos artísticos em teatros, museus, galerias ou performances de rua apenas revela uma faceta trágica e oportunista diante de uma tragédia real.

Em 2014, ainda no auge do desenvolvimento de políticas públicas protetivas de crianças e adolescentes no País, os casos de violação de seus direitos já eram alarmantes. Imaginem agora, nessa atmosfera psicossocial da quebra da institucionalidade e com o advento do governo golpista de Temer. Além dos brutais cortes orçamentários, a fragilização dos ministérios e das políticas públicas transversais sobre o tema, temos que levar em conta o desemprego, a desestruturação familiar, a desesperança em termos da aquisição de moradia, de acesso à educação e à saúde, como agravantes da tragédia em foco.

É nessa atmosfera que todos devemos falar, sim, da pedofilia como uma doença grave, instalada na sociedade e em algumas instituições, cujo enfrentamento ganhou impulso no Brasil de 2003 a 2016. Pedofilia é o quarto tipo de violação de direitos dessa população vulnerável. Antes dela, temos a negligência, a violência psicológica, a física e, na sequência, a sexual. Estar em quarto lugar nesse triste ranking não diminui sua relevância. Apenas agrava um quadro que, nem de longe, é abordado nas recentes manifestações de horror hipócrita, demagógico e eleitoreiro sobre a questão da pedofilia, traduzida pelo obscurantismo, pelo fascismo e pela abordagem diversionista.

Não. Não é em museu que ocorrem casos de pedofilia. Mais de 60% dos casos de violência sexual notificados em 2014 ocorrem nas casas da vítimas. Os agressores são, nesse quadro, parentes ou amigos com bom trânsito nas residências delas. Da violência sexual registrada, 75% são abusos e 25% exploração sexual. A Polícia Rodoviária Federal catalogou cerca de 2.000 pontos de exploração sexual de crianças nas rodovias naquele ano. Mais informações sobre os números dessas tristes estatísticas vocês encontram aqui http://www.childhood.org.br/numeros-da-causa.

Onde estavam os parlamentares e outros candidatos às eleições de 2018, que usam demagogicamente esse tema, quando esses assustadores dados foram disponibilizados ao público? Onde estavam as celebridades construídas artificialmente na atmosfera do golpe que destituiu Dilma Rousseff da Presidência da República?

Agora aparecem, aos montes, fazendo caras e bocas de indignação e gerando factoides na imprensa. Em Minas Gerais, aecistas hipócritas têm coragem de levantar polêmicas sobre artistas e suas obras. Mas, não falam dos cortes orçamentários, do desmonte de políticas protetivas, do aumento do desemprego e das perdas de direitos sociais, trabalhistas e previdênciários que estão também na raiz disso tudo.

Na verdade, essa gente acaba de inaugurar a “pedofilia eleitoreira”. Devem ser denunciados como farsantes e como quem ajuda a esconder a realidade trágica da violência sexual da criança e do adolescente.







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