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Debate sobre legado de Paulo Freire aponta para a recuperação de uma pedagogia inclusiva

Décio Junior - Núcleo de Comunicação Bloc Minas Melhor

 Foto: Luiz Santana/ALMG

Após 20 anos da morte dele, o legado deixado por Paulo Freire é apontado como um dos caminhos para a educação no Brasil. Num contexto de intolerância, de apologia à violência, de segregação social e de comportamentos fascistas e racistas, o método do pedagogo e filósofo – que consiste na autonomia do indivíduo, na formação de uma consciência crítica e na capacidade de decisão – foi defendido por parlamentares e educadores.

Reunidos em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pela deputada Celise Laviola (PMDB), na quarta-feira (20/09), os debatedores relembraram a contribuição de Paulo Freire para a pedagogia em todo o mundo.

O 1º secretário da ALMG, Rogério Correia (PT), enfatizou a necessidade dos conceitos de Paulo Freire na atual conjuntura social. “Ele foi um combatente da intolerância, teve a educação como pauta em todos os debates e sempre enxergou a educação como uma ato político, não no sentido de política partidária, mas de política de contribuição para a compreensão social do indivíduo. Não basta saber ler, a pessoa precisa saber qual o papel ela ocupa na sociedade e, os mais excluídos, precisam entender o porquê daquele contexto em que ela vive. E essa foi a grande lição de Paulo Freire”, ressaltou.

Rogério desconstruiu a bandeira da “escola sem partido”, lembrando as ideias do pedagogo. “Fazer política é algo do ser humano, ou seja, é impossível existir uma escola sem partido por que, de alguma forma, uma ideologia sobre temas específicos será discutida e a pessoa acaba tomando partido. E Paulo Freire provocava essa compreensão dos fatos e dos contextos sociais”, disse.

A presidente da Comissão, deputada Celise Laviola (PMDB), defendeu também a liberdade do debate no ambiente escolar. “Não vivemos sem política, ela é o que nos move. Precisamos manter e valorizar os bons políticos”, afirmou. A parlamentar conduziu a reunião, que foi aberta com uma apresentação do grupo Abadá Capoeira, que reproduziu, ao som de um berimbau e passos de dança, cenas da vida de Paulo Freire.


A secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, reforçou a imagem de Paulo Freire como símbolo da construção do direito à educação no Brasil. “Vivemos em uma sociedade desigual, que se instituiu sobre o racismo e machismo. Por isso, devemos sempre nos perguntar a favor de quem estamos fazendo esta educação. A educação é um ato político e deve ter sempre um compromisso com os oprimidos”, afirmou Macaé.

Educadora da rede estadual de ensino, a presidente da Central Única dos Trabalhadores em Educação (CUT-MG), Minas, Beatriz Cerqueira, defendeu também o respeito à diversidade nas escolas. “Eu aproveito para refutar essas agressões que estão sendo feitas contra nós, da Educação, e contra a escola pública. Nós não doutrinamos a orientação sexual das crianças. Isso não é verdade. O que nós precisamos fazer na escola é promover o respeito à diversidade e fazer com que os alunos respeitem o outro”, disse.

Beatriz Cerqueira ressaltou que a escola, além de ensinar, tem o papel de formar a pessoa como cidadã, participando do contexto de sua realidade. “Se nós não discutirmos esses temas nas escolas vamos formar pessoas que se acharão no direito de agredir o outro pela sua identidade cultural, de gênero e de suas opções ideológicas. O momento é grave e requer que resgatemos os ensinamentos de Paulo Freire com muita intensidade”, frisou.

Pedagogia do Oprimido - Nascido em Recife (PE), em 19 de setembro de 1921, Paulo Reglus Neves Freire morreu em São Paulo (SP), em 2 de maio de 1997, sendo um dos principais expoentes do movimento denominado Pedagogia Crítica. Por lei federal, é o patrono da educação brasileira. Ele propôs uma nova prática didática, voltada sobretudo à alfabetização dos mais pobres, na qual o estudante se transforma no protagonista do processo, traça seu próprio caminho e adquire consciência política.

Ao mesmo tempo em que servia de inspiração para professores na América Latina e na África, Paulo Freire foi perseguido pela Ditadura Militar, preso e exilado. Foi no Chile, em 1968, que ele escreveu sua principal obra: "Pedagogia do Oprimido".


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