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Direitos Humanos quer investigação rigorosa sobre morte de jovem baleado pela PM em Ouro Preto

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Foto: Clarissa Barçante/ALMG

A audiência pública da Comissão de Direitos Humanos que reuniu jovens negros de bairros da periferia de Ouro Preto (Região Central do estado), na quarta-feira (20/09), discutiu mais um caso flagrante da injustiça social no Brasil, que continua dizimando uma geração inteira de afrodescendentes pobres. Na sexta-feira (15/09), durante abordagem policial rotineira naquela cidade, Igor Arcanjo Mendes, de 20 anos, morreu baleado, apesar de não estar armado e não ter antecedentes criminais. Presentes à audiência, os pais da vítima acusaram o tenente da Polícia Militar que comandou a operação de assassinar Igor e pediram que ele seja julgado sem privilégios. 

A comissão aprovou diversos requerimentos relacionados à morte de Igor, entre eles dois de autoria do 1º secretário da Assembleia Legislativa, deputado Rogério Correia (PT): um solicita a troca do comando do 52º BPM em Ouro Preto, tendo em vista as denúncias feitas na audiência e o outro, assinado também pelo deputado Geraldo Pimenta (PCdoB), que o tenente envolvido na ocorrência seja afastado de suas funções.

Igor Arcanjo Mendes estava em um carro com mais quatro amigos, quando uma viatura sinalizou para que o veículo parasse. Segundo a versão divulgada em nota da PM, a vítima teria feito um movimento brusco no momento que recebeu a ordem de descer do carro, o que teria levado um dos agentes a pensar que ele sacaria uma arma de fogo. O policial disparou contra Igor, que foi atingido na cabeça e morreu no local.

"O que aconteceu não foi despreparo, foi execução", afirmou Adriano Mendes, pai da vítima. "Meu filho morreu às 22h, e nós só fomos avisados às 4h do dia seguinte. Eles prenderam os celulares de todo mundo que estava no carro. Não deixaram ninguém avisar a família", relatou emocionado. Sua indignação foi ainda maior quando o deputado Coronel Piccininni (PSB), defendeu o policial que atirou em seu filho, alegando que o ocorrido teria sido um acidente, uma reação ao possível disparo de arma de foto pelo jovem. Sob vaias e protestos dos presentes, a irmã de Igor, Nayara Mendes, pediu aos amigos e parentes na platéia, que deixassem o deputado falar. Mas não se conteve e respondeu ao parlamentar que se ele, um militar, defendia a atitude daquele policial, era porque ele próprio também faria o mesmo naquela situação. “O senhor mataria um inocente”, disse Nayara.

“Esse jovem foi assassinado em Ouro Preto, não existe outra definição para o ocorrido. E infelizmente o comportamento da PM naquela cidade tem sido inadequado na relação com os cidadãos do lugar. As denúncias de abordagem violenta são muitas, e frequentes”, analisou o deputado Rogério Correia, que solicitou a reunião, juntamente com o presidente da Comissão, deputado Cristiano Silveira (PT). 

“Os rapazes eram negros e estamos tendo no Brasil um extermínio da juventude negra. Garanto que se fosse um rapaz branco, num carro chique e num bairro de classe alta, nada disso teria acontecido. Isso está contextualizado, infelizmente”, lamentou o deputado.

O presidente da Comissão, Cristiano Silveira, exigiu uma rigorosa e célere investigação. “Temos que apressar essa apuração e fazer um balanço dos fatos. Não é um caso isolado. O preconceito e a falta de preparo para lidar com a juventude tem sido a tônica desses confrontos”, defendeu Cristiano Silveira.

O deputado Thiago Cota (PMDB) se solidarizou com a família e pediu providências para se faça justiça diante do suposto crime.

Providências da PM - O comandante da 3ª Região da Polícia Militar, coronel Eucles Honorato Júnior, lamentou o ococrrido e garantiu que a corporação está adotando todas as providências para esclarecer o fato, seguindo as normas da legislação.

“Determinamos que a Corregedoria faça a investigação. Está tudo sendo tratado com isenção e transparência. O tenente envolvido na abordagem foi afastado das suas funções operacionais”, esclareceu.

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa dos Direitos Humanos, promotora Nívia Mônica, defendeu que a melhor estratégia, no momento, é criar mecanismos que evitem outros casos como o de Igor, por meio de um protocolo especial para a abordagem. “O Ministério Público designou três promotores para acompanhar as investigações”, anunciou.

Com a presença de veradores e represententes do poder municipal de Ouro Preto, as reclamações com as ações exageradas da PM local foram unânimes. O vereador Getúlio Mendes (PC do B), informou que foram realizadas audiências públicas na Câmara Municipal de Ouro Preto, para tratar de violência policial na cidade. E reclamou do que considera falta de conexão da corporação com a cidade, pedindo que o comando da PM local faça desse caso um exemplo para que novos erros não sejam cometidos na localidade.

Sem intimidações - O líder do Governo na ALMG, deputado Durval Ângelo (PT), reagiu à intervenção do deputado Sargento Rodrigues (PDT), que condenou a atitude de Rogério Correia, de classificar o caso como assassinato. Essa fala tornou o ambiente ainda mais inflamado, mas a família de Igor pediu calma aos presentes. “Queremos lembrar que a Comissão dos Direitos Humanos não se intimida diante de ameaças. Nós defendemos os direitos humanos para que o Estado, ou um agente do Estado, não se tornem bandidos”, declarou Durval.

O educador cultural Juliano Mendes relatou que ele e seus amigos criaram um movimento cultural na cidade para lutar por direitos e incentivar atitudes contra a violência. “Somos pela paz. E perguntamos: O que está sendo feito na PM para preparar seus componentes? Nós precisamos da polícia para nos defender, não para nos humilhar”, concluiu.



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