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Opinião

 
 

Uma tragédia anunciada

Uma tragédia anunciada

Numa previsão otimista, o governo federal apresenta um déficit orçamentário de mais de R$ 140 bilhões  para 2017. Dentre as várias medidas antipopulares adotadas para enfrentar esse buraco orçamentário destaca-se uma muito cara a Minas Gerais: a intenção de leiloar quatro empresas geradoras de energia controladas pela Cemig.

Espera-se com esse gesto arrecadar R$ 11 bilhões, passando à iniciativa privada o controle de algo que hoje fortalece a soberania nacional. E não diz respeito exclusivamente ao estado de Minas Gerais. O discurso que tenta justificar essa impostura é antigo: enxugar o Estado para facilitar uma suposta prioridade do governo nas áreas de saúde, educação e segurança. Não seria papel dos governos e de empresas estatais fazerem a gestão direta de atividades produtivas, que deveriam ficar prioritariamente nas mãos do setor privado. Setor este que, aliás, teria um fantasioso tributo de eficiência.
A história recente do país recomenda muita calma nessa hora. Em nome disso, o governo FHC deu continuidade, em nível superior, a um plano de privatização criminoso, que teria rendido mais de R$ 100 bilhões,  num quadro de aumento da precarização da saúde, da educação e da segurança em seus oitos anos de gestão.

Peguemos apenas o exemplo da privatização da antiga Companhia Vale do Rio Doce, empresa nascida em Minas Gerais, vendida por menos de R$ 4 bilhões; e que, na época, já controlava cerca de 300 anos futuros de reservas dos mais variados tipos de minerais valiosos em todo o planeta. A pergunta é: o que Minas lucrou com essa venda? O que o país avançou em termos de educação, por exemplo, com essa alienação do patrimônio público? A resposta é simples: nada.

Quanto à falácia da superioridade da eficiência privada na gestão de negócios em geral, isso não resiste a um mínimo estudo sobre o tema. Em todo o planeta, mas principalmente aqui, a estatização de empresas quebradas, ou de seus prejuízos, em nome de se evitar um tal risco sistêmico já desmentiria essa tese. Basta lembrarmos do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), criado em 1995. Bancos privados, administrados com a máxima irresponsabilidade, demandaram dinheiro público para sanar suas contas internas. Estima-se que cerca de R$ 100 bilhões foram torrados nessa aventura estatizante perversa.

Ora, esse exemplo prova duas coisas: tucanos gostaram de privatizar empresas que fortaleciam a soberania nacional e, ao mesmo tempo, estatizaram quebradeiras do setor privado, em cifras muito semelhantes às que arrecadaram com as privatizações dos oito anos de governo FHC. Venderam o almoço, as estatais, para comprar um jantar para os banqueiros.

O que o governo federal quer agora? Alienar bens públicos, para cobrir um déficit orçamentário que é resultado de um política fiscal irresponsável. Uma tragédia anunciada.


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