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Trabalhadores protestam contra a reforma trabalhista e volta de Aécio ao Senado

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Foto: Sarah Torres / ALMG

A reforma trabalhista em tramitação no Congresso Nacional foi duramente criticada em Audiência Pública promovida pela Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na sexta-feira (30/06), em evento complementar à Greve Geral convocada para essa data. 

Realizada por requerimento dos deputados Dr. Jean Freire (PT), Geraldo Pimenta (PCdoB) e do primeiro secretário da casa, deputado Rogério Correia (PT), a reunião contou com ampla participação de lideranças sindicais, de movimentos sociais e de trabalhadores em greve que lotaram o Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira, da ALMG e foi presidida pelo deputado Durval Ângelo (PT). Foram muitos os protestos e vaias dos presentes contra políticos como o senador Aécio Neves e os deputados mineiros que votaram pelas reformas recentemente, quando estes foram citados nos discursos.

Beatriz Cerqueira, presidente regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), entidade que solicitou o evento, criticou duramente a pressa com que as reformas trabalhistas vem sendo votadas no Congresso. Então leu os nomes dos 29 deputados federais mineiros que votaram a favor da reforma trabalhista no Projeto de Lei Federal 38/17, aprovado na Câmara e indo para votação no Senado. Houve vais e protestos do público. Outro momento de muitas vaias e gritos de “Aécio na cadeia!”, foi durante o relato indignado do deputado Rogério Correia, ao falar da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, que naquele dia liberou o senador afastado Aécio Neves, do PSDB, para retornar ao Senado. “Essa decisão é um escárnio com o povo de Minas Gerais e também com todo o povo brasileiro, neste dia de greve geral pela garantia de direitos. Aécio Neves foi pego com a boca na botija, pedindo 2 milhões de propina e um ministro do STF acha que isso não é motivo para ele ser afastado. O que será motivo então?”, peruntou o deputado.

Rogério lembrou ainda que, conforme revelaram as investigações, o senador teria solicitado a um intermediário que pedisse ao governador do Estado que interviesse para que ele, Rogério Correia, não o denunciasse mais na tribuna da ALMG. Por isso, com a decisão do STF de deixá-lo em liberdade, agora se sente ameaçado. “Imagina se eu posso andar tranquilo por Minas Gerais com esse sujeito solto?”, questionou.
 
Beatriz Cerqueira reafirmou críticas ao governo federal que está promovendo perdas de direitos trabalhistas e de direitos civis aos brasileiros. Ela classificou que esse processo é devastador para a democracia brasileira, conquistada há mais de 30 anos: “O presidente foi denunciado e não olha para o clamor das ruas que pedem que ele saia. Estamos vivendo um tempo de perdas em nosso direito de protestar e exigir transparência no poder, e ainda temos um golpista ocupando o poder. Toda a classe trabalhadora sofrerá perdas e será atingida por essas reformas que vão destruir a CLT”, disse a presidente da CUT-MG.

Lideranças protestam contra reformas

Outros líderes sindicais participaram e falaram sobre o momento atual e a importância das greves de agora em diante. Todos conclamaram a mobilização popular para interromper os congressistas e senadores a continuarem acabando com os direitos conquistados pelos trabalhadores:

Marcelino Rocha, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB: “A nossa CLT, com mais de 70 anos de idade, fruto de muita luta, está sendo rasgada por gente não foi eleita para fazer essa reforma trabalhista e essa da previdência”.

Frederico Mello, economista do Dieese: “Se olharmos para o passado recente, esse governo desmonta políticas sociais, tenta desmontar previdência pública e as garantias trabalhistas. Querem precarizar as formas de contratação do trabalho no Brasil, com a intensificação do trabalho temporário, querem fragilizar a ação sindical e desqualificar a Justiça do Trabalho".

Romeu Machado Neto, Sindicato dos Metroviários: “Quem são os verdadeiros autores dessa Reforma? O governo golpista é um mero braço dos interesses dos banqueiros, dos grandes industriais, dos latifundiários e dos patrões em geral. É preciso esclarecer a população disso.”

Magali Fagundes, da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro: “Essa reforma, para nós da categoria bancária, visa retirar nossa representação sindical da base de todas as categorias do ramo financeiro. Os maiores patrocinadores dessa reforma são os banqueiros. Temos que impedir essa votação no Senado. Custe o que custar.”

Genilton Miranda Junior, membro da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Minas Gerais - Fetraf: “A nós, da agricultura familiar, essa reforma atinge de maneira muito dura. Isso não ajuda em nada os pequenos proprietários. Precarizar trabalho, retirar direitos de assalariados não ajuda a vida nos pequenos municípios. Nosso compromisso é de nos unirmos aos trabalhadores urbanos, aos assalariados, e denunciar o que está por trás de tudo isso. Todos perdemos com esse cenário”.

Jorge Filho, coordenação da Articulação dos Assalariados Rurais: “Somos os bóias frias, os 64% dos atuais assalariados rurais, em Minas, que não têm carteira assinada. E há um projeto no Congresso que, na prática, restaura a senzala nas fazendas, e se apresenta como uma reforma para o trabalho assalariado no campo. Essa reforma tenta legalizar as irregularidades já praticadas contra os assalariados rurais hoje.”

Meire Lúcia Zonta, da Intersindical da Classe Trabalhadora: “Se não conseguirmos barrar esse desmonte da legislação trabalhista, o próximo desmonte é o das organizações de defesa do trabalho. Sem liquidar com as organizações dos trabalhadores eles não conseguem implementar essa reforma que está sendo votada no Congresso. Temos que manter os sindicatos fortes".

Romeu José Machado Neto, do Sindicato dos Metroviários e Conexos de Minas Gerais (Sindimetro): " Nossa adesão à greve geral foi total em Belo Horizonte, uma mostra de que a categoria não se sente representada pelo governo federal. Quem são os verdadeiros autores dessa reforma? De quem esse governo está a serviço? Se temos alguns direitos, foi graças a mais de 100 anos de luta. E vamos continuar lutando”.

Presença de políticos e balanço positivo da greve

Para o deputado federal Padre João (PT) o que está acontecendo hoje é desdobramento do golpe. Todas as perdas que o país vem sofrendo, como  a venda do pré-sal, as terceirizações na área pública, o fim das farmácias populares e agora, a reforma trabalhista. “Eles querem negar a organização coletiva, mas não vão conseguir. Temos que nos lembrar que a previsão era de que a reforma trabalhista fosse votada em março, e em julho eles ainda estai articulando. Não podemos sair das ruas, ainda há esperança. Ainda dá para ganhar esse jogo”, pontuou.

O vereador de Belo Horizonte, Gilson Reis(PT), falou sobre índices alarmantes de que até 72% da população de trabalhadores brasileiros será atingida por essa reforma e que o governo pretende destruir a organização sindical brasileira, para ampliar os efeitos das reformas.

Sobre os resultados das paralisações da greve geral, a CUT-MG foi otimista. Segundo Beatriz Cerqueira, mais de 30 cidades realizaram atos de protesto no interior do estado, além de escolas paradas e postos de saúde fechados na capital. "Em Betim, a REGAP da Petrobrás, parou os serviços desde a meia noite, e até no Judiciário, os servidores não trabalharam. Mas isso as entradas ao vivo das tvs, não mostraram, só os contratempos do trânsito. Mas foi muita gente parada, protestando", declarou a líder sindical.

O deputado Durval Ângelo avaliou positivamente as manifestações desta sexta-feira (30) por todo o Estado. “Conforme disse Santo Agostinho, a esperança tem duas filhas: a indignação e a coragem. E as duas conjuntamente devem nos motivar a seguir lutando”, finalizou.

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