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Leonardo Boff acredita em eleições gerais como saída para crise política

Núcleo de Comunicação Bloco Minas Melhor / Assessoria ALMG

Foto: Willian Dias /ALMG

“A situação brasileira é como um voo cego de um avião sem piloto. Não sabemos o que vai acontecer. A realidade é tão confusa e caótica - a corrupção atravessou todas as instâncias da política e do Judiciário -, que ficamos perplexos.” A afirmação é do escritor e teólogo Leonardo Boff, que na quarta-feira (28/06) participou de audiência pública sobre democracia e defesa dos direitos, da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

A reunião aconteceu por solicitação do Líder de Governo, deputado Durval Ângelo (PT), e teve como objetivo debater o fortalecimento da democracia e a defesa de direitos. O deputado ressaltou que democracia e direitos devem andar juntos, mas que sem a ampliação de direitos a democracia não existe. “Se a justiça está morrendo no Brasil, a democracia está morrendo junto. E principalmente a democracia voltada às políticas de inclusão social para os mais pobres. O desafio é como resgatar isso”.

Para o Vice-líder de Governo, deputado Cristiano Silveira (PT), é de extrema importância que ocorra a substituição na Presidência do país através de voto direto, o mais rápido possível. “O Brasil precisa reestabelecer a ordem democrática, rompida com o golpe. E só o povo nas ruas é capaz de fazer isso, já que a única força capaz de frear o atual governo é a pressão popular”.

Para Leonardo Boff, o momento propício para se fazer um balanço na política como um todo, já que a população se encontra desacreditada diante do cenário instaurado. “O PT deve fazer uma autocítica mais diretamente, porque é preciso se reconhecer os avanços que foram conseguidos e beneficiaram o povo brasileiro, mas também os equívocos que aconteceram principalmente na quebra das ligações orgânicas com as bases populares, o que enfraqueceu o partido, o maior do Brasil.”

O teólogo também atentou para a necessidade de mudança na presidência tendo em vista a falta de apoio popular e a tentativa de implantar reformas que não são aceitas pela população. Quanto ao cenário político para as próximas eleições, Boff destacou que Lula é unanimidade em todas as pesquisas já realizadas, mas que é preciso agir com cautela, para não perder o controle: “A situação é tão caótica que não vemos de imediato uma saída, e nos faltam líderes carismáticos, que tenham uma palavra forte a dizer. Eu creio que poderão surgir pessoas novas, com ideias novas, mas elas têm que ganhar a confiança do povo. Não existe governo sem confiança.”

“Se o atual governo não faz justiça para o povo e tira seus direitos, esse mesmo povo tem o direito de não dar paz aos donos do poder e de encher as ruas”, avaliou Boff. Isso seria, na visão do escritor, avançar em relação ao atual momento de desalento e perplexidade, partindo para a ação.

O atual quadro demonstra para Boff o quanto o Brasil retrocedeu em relação aos governos Lula e Dilma, nos quais, segundo ele, foi valorizada a democracia participativa, com os movimentos sociais interferindo nas decisões governamentais. “Nenhum grande projeto poderia ir para a frente sem consulta à sociedade”, lembrou.

Durval Ângelo lembrou que o desafio é resgatar a confiança das pessoas na política: “Temos que estar junto do povo e, com ele se organizar, e lutar. Porque numa democracia o poder emana do povo, é exercido pelo e para o povo. Então o grande desafio nosso é como trabalharmos com a base, com os sindicatos, com as organizações sociais, igrejas e a sociedade como um todo para resgatarmos o povo como personagem central no processo democrático”.


Reafirmar a democracia é uma necessidade -  Durval Ângelo relembrou uma história contada por José Saramago no Fórum Social Mundial, em 1991. Ele disse que, numa pequena aldeia medieval, a vida era regulada pela batida dos sinos e certa vez, badalaram o toque de finados. Como de costume, os moradores foram à igreja para saber quem tinha morrido. Lá, um camponês disse que os sinos tocavam daquela forma porque tinha morrido naquele dia a justiça. “Numa demanda de terra, o camponês tinha sido injustiçado por um grande latifundiário”, contou.

“Hoje podemos tocar os sinos como os da aldeia”, lamentou o parlamentar, referindo-se à conjuntura nacional. Por outro lado, ele ressaltou que a presença de Leonardo Boff na reunião representava uma mudança de perspectiva. “Boff está aqui para que a gente possa tocar não o sino de finados, mas o de esperança, de júbilo, de aleluia, e para dizer que a causa continua viva e precisa de nós todos, para mudarmos essa realidade”, conclamou.

O deputado Cristiano Silveira concordou e elogiou a fala de Leonardo Boff, considerando-a "instigante" e fundamental para apontar caminhos na atual circunstância. 

O secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, acrescentou que a democracia brasileira está sendo golpeada com as medidas tomadas pelo atual governo. “Discute-se um modelo não público de aposentaria; a assistência social cidadã está sendo solapada aos poucos; e o pilar do trabalho decente também está caindo”, lamentou. Por todos esses motivos, Nilmário considerou fundamental neste momento reafirmar a democracia.


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